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Flávia Guerra analisa "A Odisseia", defende elenco e detona críticas

Em participação na Rádio Bandeirantes, crítica de cinema comentou arrecadação de US$ 250 milhões, explicou escolhas técnicas de Christopher Nolan e rebateu ataques a Lupita Nyong'o

Por Redação
REDAÇÃO

22/07/2026 • 18:18 • Atualizado em 22/07/2026 • 18:21

Flávia Guerra
Flávia Guerra analisa "A Odisseia", defende elenco e detona críticas

Flávia Guerra analisa "A Odisseia", defende elenco e detona críticas

Reprodução/Band

O lançamento de A Odisseia, mais recente superprodução dirigida por Christopher Nolan, continua movimentando o cenário cinematográfico mundial. Além de ultrapassar a marca de US$ 250 milhões em sua semana de estreia, o longa se tornou o centro de intensos debates sobre acessibilidade tecnológica, licenças poéticas na adaptação e escolhas do elenco.

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Em análise no programa da jornalista Paula, na Rádio Bandeirantes, a crítica de cinema Flávia Guerra destinchou os pontos mais polêmicos do longa-metragem e respondeu a questionamentos enviados pelo jornalista de cultura Danilo Gobato.

Tecnologia IMAX e o fetiche técnico de Nolan

Um dos assuntos mais debatidos pelo público é a exigência do diretor em ter gravado a obra inteiramente no formato IMAX 70 mm, disponível em pouquíssimas salas ao redor do mundo. Para Flávia Guerra, embora o cineasta seja um "preciosismo e fetichista da técnica", a impossibilidade de assistir ao filme na tela ideal não compromete o valor da narrativa.

"Não precisa dos 70 milímetros e daquela coisa mastodôntica para a história ser incrível. Ver em uma sala com um som incrível e uma mega tela já coloca você dentro da aventura. É claro que muda um pouco a experiência, mas não vai anular a história que ele criou. O importante é não assistir no celular ou no computador", observou a crítica.

'A Odisseia' sob olhar contemporâneo e dilemas éticos

Ao responder sobre as diferenças entre A Odisseia e outros clássicos do gênero, como Gladiador e O Senhor dos Anéis, Flávia explicou que Nolan optou por um tom mais realista e humanizado. A especialista destacou que a produção se baseou na tradução publicada em 2017 por Emily Wilson — a primeira mulher a traduzir o poema de Homero na história —, o que resultou em um texto menos rebuscado e mais direto.

"O Nolan faz um recorte. O Ulisses de Matt Damon tem um momento crucial em que se questiona e sofre com a própria culpa, se perguntando se jogou limpo ou sujo. Para mim, o momento do Cavaleiro de Troia no filme equivale ao momento da criação da bomba atômica em Oppenheimer: é aquele instante de grande fascínio em que algo ruiu na humanidade", ponderou Flávia.

Ataques a Lupita Nyong'o e a questão do racismo

Flávia Guerra também rebateu a onda de comentários negativos nas redes sociais em relação às atrizes do filme, destacando a rejeição à escolha da atriz mexicana-keniana Lupita Nyong'o para o papel de Helena de Troia. A crítica enfatizou que argumentos sobre "fidelidade histórica" não sustentam os ataques em uma obra de ficção fundamentada em mitologia.

"A Helena é descrita como a mulher mais linda, capaz de ser o motivo de guerras. Muita gente está criticando porque dizem que a personagem não é negra e que a Lupita Nyong'o não está sendo fiel à história. Mas a Anne Hathaway também não tem a cara de uma grega tradicional como Penélope, e a Zendaya faz a deusa Atena. Temos que olhar e perguntar: essas críticas pesadas são preocupação com acuidade histórica ou são fruto de racismo? É a segunda opção", declarou a jornalista.

Matt Damon no papel principal e cotado para o Oscar

Enquanto parte do elenco feminino enfrentou resistência na internet, o desempenho do protagonista Matt Damon foi destacado de forma positiva. Para compor o porte do herói grego, o ator fez mudanças drásticas em sua rotina de treinos e dieta.

Apesar de considerar que nomes mediterrâneos poderiam encaixar no perfil visual do personagem, Flávia ressaltou que a presença de um astro hollywoodiano do porte de Damon era indispensável para viabilizar um orçamento dessa dimensão. Para ela, a atuação que retrata o trauma de guerra do herói coloca o ator e o filme como fortes concorrentes na temporada de premiações do Oscar.

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