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Fogaça defende uso da cannabis na medicina e na cozinha: “Há muito preconceito”

Inspirado pela filha, que usa cannabis medicinal há oito anos, chef lançará plataforma para ampliar o acesso e a informação sobre os usos terapêuticos da planta

Hanna Rahal
HANNA RAHAL

08/09/2025 • 13:21 • Atualizado em 08/09/2025 • 13:21

Fogaça

Fogaça

Reprodução/ Instagram @henrique_fogaça74

O chef Henrique Fogaça fez a curadoria do Market Square, espaço gastronômico do The Town. O apresentador do MasterChef Brasil, que é sócio do Sal Gastronomia e do pub Cão Véio, conversou com o Band.com.br durante o festival e falou sobre seu novo projeto: a promoção do uso medicinal da cannabis.

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Pai da Olívia, o jurado buscou diversas alternativas para solucionar as convulsões frequentes da filha. A jovem de 18 anos nasceu com uma síndrome rara ainda não identificada, que lhe causa limitações motoras e impedimento de andar e falar e foi o tratamento com o óleo de canabidiol, que transformou a vida dela.

Olívia faz o tratamento à base da planta há quase uma década, e desde então, Fogaça tem se empenhado em divulgar os benefícios da cannabis medicinal. Em entrevista, o chef se emocionou ao contar como a experiência da filha o levou a abraçar essa causa:

“Só quem tem alguém em casa, uma pessoa que precisa de cannabis medicinal, sabe o quanto essa planta pode transformar vidas. A Olivia usa há oito anos, e só eu sei a diferença que isso faz”, afirmou. Segundo o chef, a falta de informação e o preconceito ainda são barreiras enormes a serem superadas: “Existe muito preconceito. Falta informação. Estamos aqui para furar a bolha e trazer conhecimento.”

A Olívia me escolheu. A criança, quando ela vem, ela escolhe, né? E eu vou cumprir essa ‘missão cannabis’.

Comunidade Canábica

Fogaça se juntou a mais dois sócios para democratizar o acesso à cannabis medicinal no Brasil por meio de uma comunidade colaborativa: a Komunidade.Org, prevista para ser lançada no dia 19 deste mês. A iniciativa tem como objetivo reunir conteúdos educativos sobre o uso medicinal da cannabis, oferecer acesso a consultas médicas, além de abranger produtos ligados ao universo canábico, como óleos essenciais e canabidiol (CBD).

A comunidade contará com a parceria com 80 médicos e diversas associações. O acesso à plataforma pode ser feito tanto pelo site na web, como por um aplicativo.

O empresário explica que o projeto nasce de uma motivação pessoal. “Muita gente me procura e pergunta sobre o tratamento da Olivia. Então, eu pensei: preciso ser um canal de informação. Não só por ela, mas por todas as pessoas que podem se beneficiar dessa medicina. É um projeto de amor”, declarou o chef.

Fogaça também fez questão de destacar o direito à saúde garantido por lei, reforçando que interesses políticos e econômicos não deveriam impedir o acesso a uma planta com benefícios terapêuticos.

Cannabis é vida. Temos direito à saúde, e não dá mais para fechar os olhos para algo que ajuda tanta gente.

Cannabis na cozinha

Além do aspecto medicinal, Fogaça defende o uso da cannabis na gastronomia. “A cannabis pode ser usada na cozinha. Ela é uma planta sagrada, com diversas funções. Tranquiliza, dá bem-estar. É preciso abrir a mente para isso”, explicou.

Ele também criticou o histórico de criminalização da maconha, apontando motivações racistas e sociais. “Lá atrás, nos EUA, os músicos negros do jazz fumavam cannabis. As esposas dos ricos gostavam deles, então os poderosos começaram a demonizar a planta por puro preconceito. É uma hipocrisia histórica que precisa ser revista.”

Retorno do Oitão

Além da culinária e da militância pela cannabis medicinal, Fogaça também é vocalista da banda de hardcore Oitão, que já se apresentou em palcos como o Rock in Rio. Embora o grupo esteja parado há quase um ano, o chef revelou planos para retomar os trabalhos: “A vida é corrida — restaurante, MasterChef, Cão Véio, a comunidade canábica — mas quero voltar com o Oitão até o final do ano. Em 2026, teremos material novo”, adiantou.