
Mark Ruffalo na San Diego Comic Con em 2017
Gage Skidmore/Divulgação
Mark Ruffalo é um dos artistas de Hollywood que não têm medo de se posicionar publicamente sobre questões políticas, mesmo que elas sejam polêmicas. Por isso, nos últimos dias, o ator de Hulk esteve novamente sob os holofotes, e não foi por causa de um lançamento da Marvel.
Tudo começou na semana passada no Instagram de Ruffalo. Nos stories, o ator criticou a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. Usando dados de um estudo divulgado pelo TheWrap, o ator disse que a fusão resultaria na perda direta de 4,5 mil postos de trabalho no setor cinematográfico de Los Angeles.
Ainda segundo a análise, o negócio, avaliado em US$ 111 bilhões, ocasionaria a perda de 10 mil empregos indiretos, além de afetar empresas que apoiam a produção audiovisual. Ruffalo também criticou a concentração do controle criativo que a aquisição ocasionaria.
Acusação de antissemitismo
O ponto que causou maior polêmica, no entanto, foi a relação que Ruffalo fez entre a fusão bilionária e a guerra em Gaza. Acontece que o CEO da Paramount Skydance é David Ellison, filho de Larry Ellison. Este, por sua vez, é co-fundador da Oracle, empresa que faz negócios com o setor de defesa de Israel.
No mesmo stories, Ruffalo compartilhou um vídeo no qual Safra Catz, executiva da Oracle, afirma que a empresa disponibilizou uma "tecnologia realmente assustadora" para os militares israelenses em meio ao conflito entre Israel e o Hamas.
"Essas 'tecnologias realmente assustadoras' provavelmente serão incorporadas a um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e um dia usadas contra você", criticou o ator. "Veja como ela [Safra Catz] se deleita com o que agora reconhecemos como um genocídio, construído sobre um sistema de opressão semelhante ao apartheid, impulsionado pela Oracle."
Procurado pelo site TheWrap, um porta-voz da Paramount criticou a fala do ator. “Ficamos preocupados quando figuras de linguagem antissemitas são invocadas supostamente para resolver uma disputa comercial", afirmou. "Termos como ‘genocídio’ e ‘apartheid’ aplicados a uma transação corporativa são apenas errados.”
Ruffalo respondeu à acusação, chamando-a de "desonesta". "Criticar as ações do primeiro-ministro israelense, um contrato de tecnologia militar ou os executivos que fornecem isso não é a mesma coisa que criticar o povo judeu", defendeu o astro. "Minhas visões vêm das minhas convicções políticas e não devem nunca ser interpretadas como hostilidade com o povo judeu."
Apesar da polêmica, outros atores de Hollywood — também conhecidos por se posicionarem politicamente na mídia — defenderam o ator. Entre eles, estão Jane Fonda e Hannah Einbinder, uma das protagonistas da série Hacks.
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