
Chef Saulo Jennings Recusa Jantar do Príncipe William e Classifica Comida Amazônica como "Alta Gastronomia"
Reprodução Instagram
A gastronomia tornou-se um dos principais pontos de debate e celebração na 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. No centro das atenções está o renomado chef paraense Saulo Jennings, que não apenas comanda o menu para líderes internacionais, mas também deflagrou uma polêmica em defesa da cultura amazônica.
Jennings revelou ter recusado o convite para cozinhar para um evento do Príncipe William, da Inglaterra, que impôs um menu vegetariano, excluindo os peixes amazônicos. O chef transformou a recusa em um discurso poderoso:
Eu acho que não é mais nem sobre o Príncipe Williams... mas é muito mais para elevar o discurso e o diálogo do que é a sustentabilidade da Amazônia. Será que isso só é ser vegetariano, vegano? E sobre valorização de cultura nacional.
O chef argumentou que ignorar o peixe na Amazônia desrespeita toda a cadeia produtiva de pescadores e o trabalho de manejo sustentável do pirarucu e outros peixes. Ele classificou a comida amazônica como "alta gastronomia" e defendeu o direito do Brasil de ter sua cultura incluída no cenário global.
Receitas do Evento: Tucupi, Jambu e a Ancestralidade da Floresta
Apesar da polêmica com a realeza britânica, Saulo Jennings está à frente da curadoria do cardápio oficial da COP30, garantindo que os líderes e chefes de Estado experimentem o que a Amazônia tem de mais autêntico. O menu é uma celebração da biodiversidade e da ancestralidade da região.
Itens confirmados e destaques:
Tacacá: Prato icônico que combina tucupi, goma de tapioca, jambu e camarão.
Tucupi e Jambu: Elementos centrais que garantem o sabor e a sensação de tremedeira característica do Pará.
Maniçoba: Prato de preparo demorado, conhecido como a "feijoada paraense", feito com a folha da mandioca brava (maniva).
Ingredientes da Floresta: O chef focou em plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e produtos regionais para mostrar a riqueza dos rios e da floresta.
Jennings assegurou que sua missão é mostrar a sabedoria e o propósito do povo amazônico, utilizando ingredientes regionais, mesmo com as restrições internacionais.
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