A cantora Daniela Mercury abriu o coração em entrevista exclusiva ao Melhor da Noite e falou sobre o machismo e os desafios de ser mulher no meio musical. A artista, uma das vozes mais engajadas da música brasileira, destacou que o caminho das mulheres na arte ainda é mais árduo.
“Quando você vê um artista jovem, homem, cantando, presume que ele é compositor, dono da própria carreira. Quando é uma mulher, acham que ela está dominada por alguém. Pra gente é tudo mais cansativo”, afirmou Daniela.
A cantora relembrou momentos em que enfrentou resistência dentro da indústria fonográfica — inclusive de colegas — e como transformou isso em força.
“Já ouvi que eu não faria uma música tão boa quanto as que eu já gravei. Me perguntavam: ‘por que não?’. Desde quando se compara uma obra de arte com outra? Eu me autobatizei de Rainha Má”, disse, com bom humor.
Durante a entrevista, Daniela também reforçou a importância do apoio entre mulheres e o papel da arte no debate público.
O machismo atrasa a nossa vida. As mulheres estão se elevando umas às outras, pra gente equiparar as oportunidades.
Pamela aproveitou o papo para compartilhar sua própria vivência como jornalista, lembrando que muitas vezes a profissão também é cobrada por “neutralidade” excessiva. Daniela respondeu enfatizando que arte e democracia caminham juntas.
“Não existe carnaval com liberdade, arte com liberdade, se o país não for democrático. A gente tem que cuidar da nossa democracia.”
Sobre as críticas que recebe por se posicionar politicamente, a cantora foi firme:
“Só me incomoda quem está perto de mim. O resto são pessoas covardes ou robôs. Principalmente em época de eleição, aparecem para atacar artistas. Mas não paro de jeito nenhum. Fico mais orgulhosa do que cansada.”
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