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Veja os segredos de montanhas submarinas no ponto mais remoto do Brasil

Cientistas exploram o arquipélago de Martim Vaz e descobrem possível nova espécie de peixe em cadeia vulcânica a 1.200 km da costa

Da Redação
DA REDAÇÃO

01/01/2026 • 17:24 • Atualizado em 01/01/2026 • 17:24

Uma missão científica inédita acaba de revelar detalhes desconhecidos da cordilheira submarina Vitória-Trindade, localizada no ponto mais remoto do território brasileiro. A expedição, que contou com especialistas de diversas instituições, navegou até o arquipélago de Martim Vaz, a cerca de 1.200 quilômetros da costa do Espírito Santo, para documentar ecossistemas que permaneciam intocados pela ciência.

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A bordo de uma embarcação equipada com tecnologias de ponta, como drones e submarinos, os pesquisadores enfrentaram condições adversas de navegação para mapear o fundo do oceano. O foco principal da missão foi o registo detalhado de duas montanhas submarinas vizinhas ao arquipélago: o Banco Davis e o Monte Colúmbia, áreas de extrema relevância biológica e geológica.

Descoberta de possível nova espécie e biodiversidade

Durante os mergulhos realizados com sistemas de vídeo subaquático remoto, a equipa identificou uma possível nova espécie de peixe. O animal, que possui entre cinco e seis centímetros, é um parente distante do badejo e da garoupa. A descoberta ocorreu em recifes mesofóticos, que são ecossistemas localizados em profundidades abaixo dos 60 metros.

Segundo os especialistas da missão, a próxima etapa envolve a comparação genética e a descrição formal da espécie, incluindo a contagem de escamas e espinhos. Este processo é fundamental para a publicação da descoberta em revistas científicas especializadas. Além do novo peixe, a expedição registou a presença de baleias, golfinhos, tartarugas marinhas e tubarões, reforçando a importância da região como santuário da biodiversidade.

Ameaças ambientais e o papel das algas no clima

Apesar do isolamento geográfico, o ecossistema da cordilheira Vitória-Trindade enfrenta riscos reais decorrentes da atividade humana. Os investigadores alertam que a mineração submarina e a pesca predatória podem destruir habitats essenciais, como os ninhos construídos pelo peixe malacanto. Estas estruturas de pedra servem de abrigo para diversas outras espécies, formando uma rede de vida interdependente.

Outro ponto crucial destacado pela expedição é o papel regulador do oceano no clima global. A região é rica em algas calcárias, organismos que possuem uma capacidade de absorção de CO2 superior à de muitas florestas terrestres. A preservação destas áreas é vista como uma estratégia vital para travar o aquecimento global, impactando diretamente a vida nas zonas costeiras e o equilíbrio do planeta.

Conhecer para proteger o oceano

A missão reforça o princípio de que a proteção ambiental depende diretamente do conhecimento científico. Os dados recolhidos durante os 15 dias de expedição serão agora analisados em diversas frentes de pesquisa. O objetivo é criar uma base sólida de informações que possa subsidiar a criação ou ampliação de unidades de conservação marinhas na região.

Para os líderes da expedição, sensibilizar a sociedade sobre o que acontece no mar profundo é urgente. Embora distantes da costa, estas montanhas submarinas funcionam como "pulmões" e centros de reprodução que sustentam a saúde dos oceanos. A investigação científica contínua é apresentada como a única forma de garantir que as futuras gerações herdem um ecossistema marinho funcional e preservado.

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