Morre Glória Menezes, grande nome da dramaturgia brasileira, aos 91 anos
Atriz morreu em casa, no Rio, e deixa legado marcado por “O Pagador de Promessas”, “Irmãos Coragem”, “Rainha da Sucata” e pela parceria com Tarcísio Meira

Glória Menezes, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira que construiu ao longo de décadas uma carreira marcada por personagens memoráveis na televisão, no teatro e no cinema, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela assessoria da atriz, que morreu em casa no Rio de Janeiro.
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Em seus últimos momentos de vida, a veterana esteve acompanhada pelo filho, o também ator Tarcísio Filho, único fruto de seu casamento de 59 anos com Tarcísio Meira (1935–2021).
Relembre a carreira de Glória Menezes
Glória Menezes construiu uma das carreiras mais longevas e marcantes da dramaturgia brasileira. Nascida em Pelotas (RS), em 19 de outubro de 1934, a atriz se mudou ainda criança para São Paulo, onde começou a se dedicar ao teatro. Seu nome de batismo é Nilcedes Soares de Magalhães.
Na década de 1950, Glória ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP) e participou da formação do grupo teatral Jovens Independentes. Em 1959, recebeu o prêmio de Atriz Revelação por sua atuação em um festival de teatro amador dirigido por Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão na novela Um Lugar ao Sol, da TV Tupi.
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A carreira ganhou projeção também no cinema. Em 1960, Glória foi convidada pelo cineasta Anselmo Duarte para participar de O Pagador de Promessas. O filme, lançado em 1962, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e se tornou um dos grandes clássicos do cinema brasileiro. Na produção, a atriz interpretou Rosa, mulher de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar.
Na televisão, um dos primeiros grandes marcos foi 2-5499 Ocupado, exibida pela TV Excelsior em 1963. Protagonizada por Glória e Tarcísio Meira, a produção é reconhecida como a primeira telenovela diária da televisão brasileira. A parceria profissional entre os dois se estenderia por décadas, além do relacionamento pessoal que começou nos bastidores da carreira artística.
Glória chegou à Globo em 1967, com Sangue e Areia, e passou a integrar o grupo de grandes estrelas da emissora. Ao longo de sua trajetória na televisão, participou de mais de 40 telenovelas na Globo. Entre os trabalhos de destaque estão Irmãos Coragem (1970), O Homem que Deve Morrer (1971), Cavalo de Aço (1973), O Grito (1975) e Pai Herói (1979).
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Em Irmãos Coragem, Glória interpretou três personagens distintas — Lara, Diana e Márcia —, uma atuação que se tornou um dos momentos mais lembrados de sua carreira. Já em Pai Herói, deu vida a Ana Preta, personagem popular que, segundo a própria atriz, representou uma virada em sua trajetória.
Nas décadas seguintes, a atriz também se destacou em papéis de diferentes estilos. Em Guerra dos Sexos (1983), explorou a comédia; em Brega & Chique (1987), dividiu o protagonismo com Marília Pêra; e em Rainha da Sucata (1990), interpretou Laurinha Figueiroa, uma socialite falida que se tornou uma das personagens mais marcantes de sua carreira.
Nos anos 1990 e 2000, Glória continuou presente em grandes produções da televisão. Atuou em Deus nos Acuda (1992), A Próxima Vítima (1995), Torre de Babel (1998), O Beijo do Vampiro (2002), Senhora do Destino (2004) e A Favorita (2008). Também participou de Páginas da Vida, Cama de Gato e Joia Rara, entre outras produções.
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No cinema, além de O Pagador de Promessas, Glória esteve em filmes como Independência ou Morte (1972) e Se Eu Fosse Você (2006). No teatro, acumulou trabalhos em peças como Tudo Bem no Ano Que Vem, que permaneceu em cartaz de 1976 a 1981, Navalha na Carne (1981), Jornada de um Poema (2000) e Ensina-me a Viver.
Seu último trabalho em uma novela foi Totalmente Demais, exibida em 2015, segundo o levantamento da Globo. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Glória Menezes transitou pelo teatro, cinema e televisão e se consolidou como uma das artistas fundamentais para a história da teledramaturgia brasileira.
Glória Menezes e Tarcísio Meira viveram 60 anos juntos
Ainda jovem, a Glória Menezes casou-se com um primo, Arnaldo Brito. Da relação nasceram seus dois primeiros filhos, João Paulo e Maria Amélia. A convivência conjugal durou até o início dos anos 1960, quando a artista decidiu buscar novos caminhos para a sua vida pessoal e profissional, dando início ao processo de separação. Depois, a atriz viveu ao lado de Tarcísio Meira (1935–2021) uma das histórias de amor mais duradouras e admiradas do país.
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Os dois se conheceram em 1961, nos bastidores do teatro, quando ambos estavam no início de suas trajetórias artísticas. Pouco tempo depois, foram escalados para atuar juntos no teleteatro "Uma Pires Camargo", na antiga TV Tupi. A sintonia nos bastidores transformou a amizade em paixão, culminando no casamento em 1962.
"Estava ensaiando a peça 'As Feiticeiras de Salém', dirigida por Antunes Filho, e de repente passou aquela coisinha linda. Eu falei: 'O que é isso?' [...] Quando ela lançou o filme 'O Pagador de Promessas' (1962) em Cannes, mandei flores e um cartão escrito 'volte, volte, volte'", relembrou Tarcísio em entrevista ao jornal O Globo, em 2015.
Apesar da rotina intensa de trabalho em dose dupla, Glória contava com bom humor como equilibravam a vida profissional e pessoal. “Ele tinha as mocinhas dele e eu tinha meus galãs. Era bom. Decorar em casa, trabalhar em casa, fazer os personagens juntos não era muito bom. Eu ia para um canto e ele para outro. Eu tinha um jeito de trabalhar os meus personagens e ele outro“, relembrou a atriz no programa Altas Horas, em 2021.
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Além do legado construído ao longo de décadas no teatro e na televisão, Glória deixa três filhos: Tarcísio Filho, João Paulo Brito e Maria Amélia Brito.
Laura Cardoso homenageou Glória Menezes antes de morrer: "Gosto muito"
A atriz Laura Cardoso, de 98 anos, faleceu na noite de segunda-feira (17), homenageou Glória Menezes antes de morrer em depoimento marcante sobre o início da amizade com o casal na TV Tupi. “Tarcísio Meira e Glória Menezes. Conheci há muito tempo aqui, aqui na Tupi, no Sumaré. A Glória veio primeiro. Tarcísio veio um pouquinho depois”, recordou Laura na ocasião.
Durante a homenagem, Laura destacou não apenas a beleza e o talento de Tarcísio, mas também enalteceu a potência artística de Glória desde a sua chegada à televisão. “Glória Menezes, uma belíssima atriz. Me lembro quando ela chegou, nós fizemos uma novela juntas... Lindos! Estão aí até hoje mostrando tudo o que eles sabem”, declarou na época.
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Ao encerrar a declaração, a veterana fez questão de reforçar o carinho pessoal que cultivou pelo casal ao longo de quase seis décadas de trajetória compartilhada: “Gosto muito dos dois, muito, muito.”
Famosos lamentam a morte de atriz
Famosos e autoridades lamentaram a morte da atriz Glória Menezes. Uma das primeiras a se pronunciar foi Ana Maria Braga, que lamentou: “Entre mocinhas e vilãs, Glória deixou também o seu carisma e uma presença que jamais serão esquecidos".
Erika Januza, atriz
“Que dia… Vai se encontrar com tantos… Dona Glória Menezes.”
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Suzana Vieira, atriz
“Hoje me despeço de uma grande amiga, uma mulher que deixou sua alma em cada personagem e sua marca na história da nossa arte. Minha eterna admiração e todo o meu respeito. Descanse em paz.”
Glória Perez, autora
“Outra estrela, outro ícone da teledramaturgia também nos deixa: agora a Gloria Menezes. Que dia triste, meu Deus!”
Bruna Lombardi, atriz
"Que dia de luto para nossa dramaturgia. Mais uma perda imensa. Glória Menezes era uma força de mulher! Em uma entrevista ao Gente de Expressão, ela mesma finalizou dizendo que ainda tinha muita história para contar. E tinha. A dama da televisão brasileira, dona de uma trajetória imensa e de uma presença imponente! E repito aqui o que disse naquele dia: a televisão te deve um busto em praça pública. Que sua luz brilhe em sua passagem. Por aqui, sua arte permanece conosco e sua história também."
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Christiane Torloni, atriz
“Nunca estamos preparados para nos despedir de alguém. E quando esse alguém é a amada Laura Cardoso e a tão amada quanto, Glória Menezes? O chão nos falta. O palco colapsa… Só posso me lembrar dos últimos olhares e mãozinhas acenando ciao, dizendo “até breve”… Sim, amadas, até breve e muito, muito obrigada por tantos momentos bons.”
