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Morre Peter Watkins, diretor vencedor do Oscar e pioneiro do “docudrama”, aos 90 anos

Cineasta britânico revolucionou o documentário ao misturar realidade e ficção em obras como O Jogo da Guerra e Edvard Munch

Da redação
DA REDAÇÃO

02/11/2025 • 16:10 • Atualizado em 02/11/2025 • 16:21

Morre Peter Watkins

Morre Peter Watkins

Reprodução

O cineasta britânico Peter Watkins, vencedor do Oscar de Melhor Documentário por O Jogo da Guerra (1966), morreu na quarta-feira (30), um dia após completar 90 anos. Conhecido por romper barreiras entre realidade e ficção, Watkins foi um dos nomes mais inovadores do cinema do século 20 e é lembrado como o pioneiro do estilo “docudrama”, formato que unia o rigor documental à dramatização.

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Lançado em março de 1966, O Jogo da Guerra imaginava o impacto de um ataque nuclear ao Reino Unido. A produção combinava dados reais e estatísticas sobre Hiroshima e Nagasaki com entrevistas fictícias e cenas encenadas, criando um retrato perturbador e realista do colapso social após uma catástrofe.

O resultado foi tão contundente que, segundo o British Film Institute (BFI), a BBC se recusou a exibir o filme, alegando que o material era “demasiado horrendo para o meio de comunicação”.

Anos depois, Watkins voltou a desafiar convenções com Edvard Munch (1974), inicialmente concebido como minissérie e depois adaptado para um longa de quase três horas. O filme reconta a vida do pintor expressionista norueguês Edvard Munch, explorando sua infância marcada por doenças e perdas familiares, e as conexões entre sua arte e suas dores pessoais. A abordagem fragmentada e poética levou o mestre sueco Ingmar Bergman a definir a obra como “o trabalho de um gênio”.

Ao longo de quatro décadas, Peter Watkins construiu uma filmografia marcada por experimentação, crítica social e ousadia formal, o que também lhe rendeu o rótulo de persona non grata em parte da indústria britânica. Seu último grande projeto, Comuna de Paris, 1871 (2000), tem quase seis horas de duração e examina em detalhes o levante francês que inspirou movimentos políticos em todo o mundo.

Visionário, radical e provocador, Watkins deixa um legado que continua a influenciar documentaristas e cineastas interessados em expandir os limites da linguagem cinematográfica.

Com informações da Estadão Conteúdo.