Festa de SP terá edição só para votantes no 2º turno: "Sem voto, sem farra"
A Novo Affair, festa eletrônica de São Paulo, anunciou que a próxima edição, marcada para dezembro, será exclusiva para pessoas que votarem no segundo turno

Festa de SP exige voto no 2º turno para liberar entrada
Pedro Lacerda/Novo Affair
A Novo Affair, festa eletrônica de São Paulo, anunciou que a próxima edição, marcada para dezembro, será exclusiva para pessoas que votarem no segundo turno das eleições presidenciais. Com o lema “Sem voto, sem farra!”, a iniciativa associa a participação eleitoral ao acesso ao evento e propõe uma reflexão sobre o papel da cultura na mobilização social e no exercício da cidadania.
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Em entrevista ao Band.com.br, Gabriel Lopes, fundador e diretor-geral da Novo Affair, afirmou que a decisão surgiu da compreensão de que a festa vai além do entretenimento. Para ele, eventos culturais também são espaços de formação, convivência e discussão política, especialmente quando envolvem comunidades historicamente marginalizadas.
“A Novo Affair é uma produtora cultural. As pessoas tendem, muitas vezes, a separar festa de cultura, mas a festa também é cultura, e a cultura sem a política simplesmente não existe”, disse Gabriel.
Segundo o produtor, a iniciativa busca estimular a participação eleitoral em um momento que considera especialmente relevante para o país. Ele também defendeu que a juventude se envolva mais nas discussões políticas e compreenda a importância de participar das decisões que afetam a sociedade.
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“A gente decidiu fazer essa ação porque estamos vivendo um momento extremamente político no Brasil e as pessoas precisam se politizar, precisam fazer parte disso, precisam ser ouvidas”, explicou.

Gabriel forma o duo 'Affair Djs', com Rafael Palone, e também atua como DJ residente da Novo Affair
Crédito: Pedro Lacerda/Novo Affair
Na publicação que anunciou a proposta, a festa também questionou a ideia de que um único voto teria pouca relevância: “Mas eu sou só um, meu voto não vai fazer diferença. Todos os votos são só um, nenhum voto vale por dois, três, entendeu? TODO VOTO importa”.
Para Gabriel, incentivar a participação nas urnas é uma forma de aproximar o público das discussões sobre o futuro do país. O produtor considera importante que os jovens desenvolvam uma visão crítica sobre a sociedade e se interessem pelas decisões políticas, em vez de permanecerem distantes desse debate.
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Na avaliação do fundador da Novo Affair, quanto maior for a presença de eleitores nas urnas, maior será a responsabilidade atribuída à pessoa eleita. “Eu acho que é um esforço constante. A cultura sempre veio para conscientizar e politizar as pessoas”, afirmou.
A gente precisa que a juventude esteja politizada, porque precisamos renovar os eleitores, renovar as ideias, renovar os nossos representantes em todas as esferas da política.
A iniciativa, conforme a justificativa apresentada pelo fundador da Novo Affair, não se resume a uma manifestação sobre a eleição em si. A proposta também procura usar o alcance da festa para chamar a atenção do público para a importância da participação coletiva.
Festa também é espaço de comunidade
Outro ponto central da iniciativa é a defesa da festa como manifestação cultural. Gabriel argumenta que eventos de música eletrônica são frequentemente associados apenas à diversão, embora movimentem uma cadeia de profissionais, contribuam para a formação artística e criem oportunidades de convivência.
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“A festa é lugar onde nascem artistas, onde as pessoas trabalham. Tem muitas pessoas que pagam as suas contas trabalhando na noite, trabalhando em eventos culturais”, afirmou.
O produtor também destacou a dimensão social desses encontros, especialmente em uma cidade como São Paulo, que recebe pessoas de diferentes regiões e países. Para ele, as festas favorecem a criação de vínculos, a descoberta de novas músicas e o contato com diferentes perspectivas.
“São nas festas que as pessoas fazem amizades, que as pessoas se encontram, que elas convivem, que escutam músicas novas, que vão levá-las para outros lugares, abrir a mentalidade delas. Então, a mensagem que a gente quer passar é uma mensagem de comunidade”, explica.
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Novo Affair reúne milhares em edição em São Paulo
Crédito: Pedro Lacerda/Novo Affair
É a partir dessa ideia que Gabriel estabelece uma relação entre a pista de dança e o processo eleitoral. Para ele, os dois espaços podem ser entendidos como ambientes de participação coletiva, nos quais pessoas com experiências e condições de vida distintas compartilham um mesmo momento.
Ele acrescenta que a participação eleitoral permite que diferentes parcelas da população expressem suas escolhas, independentemente de origem, gênero ou condição econômica.
“É o momento em que o Brasil, de fato, é uma única comunidade, com diferenças, mas é uma única comunidade. Nós precisamos nos mostrar vivos, precisamos mostrar que estamos aqui, fazer a nossa voz ser ouvida”, diz.
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"A cena eletrônica sempre foi política"
A defesa da participação social também está ligada à maneira como Gabriel enxerga a história da música eletrônica. Embora o gênero tenha conquistado espaço em grandes festivais e eventos de alcance internacional, ele considera importante preservar a compreensão de suas origens e de sua relação com movimentos culturais de resistência.

'A cena eletrônica sempre foi política', diz fundador da Novo Affair
Crédito: Pedro Lacerda/Novo Affair
“A cena eletrônica sempre foi política. Por mais que hoje o eletrônico tenha se popularizado, com grandes festivais no Brasil e no mundo, ingressos caríssimos, estrelas internacionais e pistas eletrônicas em grandes eventos, na essência, a música eletrônica é um espaço subversivo”, afirma.
Gabriel associa essa trajetória à presença de grupos que encontraram nas pistas de dança espaços de expressão e pertencimento. Ele cita a população negra e a comunidade LGBTQIA+ entre os grupos que, segundo sua avaliação, tiveram papel importante na construção da cena.
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A música eletrônica sempre teve esse papel de incluir as pessoas, de dar visibilidade para recortes, para pessoas que são de grupos minorizados.
O produtor também chama a atenção para a presença de pessoas trans, não binárias e periféricas na cena contemporânea. Para ele, discutir o desenvolvimento da música eletrônica envolve não apenas falar sobre artistas e festivais, mas também abordar as condições de trabalho, a profissionalização e a dignidade de quem atua no setor.
“Desde que o mundo é mundo, as pessoas fazem festa. O poder público ignora, trata isso como se fosse algo fútil, como se não fosse necessário, mas as pessoas precisam sair, se divertir, ter o momento delas de descontração”, afirmou.
Na avaliação do fundador da Novo Affair, a cena eletrônica precisa resistir às pressões que ameaçam sua existência e, ao mesmo tempo, continuar ampliando as possibilidades de expressão para pessoas que nem sempre se sentem acolhidas em outros ambientes.
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“É um espaço de sempre precisar resistir à opressão que tenta sufocar a cena e, ao mesmo tempo, fazer um trabalho de expansão, de dar voz, visibilidade, presença e dignidade para muitas pessoas”, concluiu.
