NewJeans: contratos revelados mostram práticas abusivas contra integrantes
Documentos obtidos pelo The New York Times mostram cobrança de cirurgias, rotina exaustiva na madrugada e multas milioná

NewJeans
Reprodução/Instagram @newjeans_official
Termos de acordos confidenciais firmados entre as integrantes do grupo sul-coreano NewJeans e a gravadora Ador, selo da Hybe, vieram a público por meio de apuração do jornal The New York Times. O levantamento revelou exigências rigorosas e condições desfavoráveis pactuadas entre 2021 e 2022, período no qual as artistas tinham idades entre 14 e 17 anos, sem atender a recomendações de órgãos oficiais sobre a proteção a menores.
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Entre as determinações contratuais identificadas pela reportagem, consta a autorização perpétua para a exploração da voz e da figura das jovens. A vigência dessa cláusula se estende para além do término formal do vínculo de trabalho, previsto para 2029.
O texto permite a criação e distribuição de chatbots e clones de voz gerados por inteligência artificial. Embora o termo assegure compensação financeira pelas reproduções, a gravadora retirou das cantoras qualquer poder de decisão sobre o uso dessas ferramentas digitais.
Rotina de treinos e evasão escolar
As diretrizes do período de formação desconsideraram alertas emitidos pelo Ministério da Cultura da Coreia do Sul em relação ao descanso, ao bem-estar psicológico e à frequência escolar. Sob vigilância constante de câmeras, os ensaios invadiam as madrugadas de forma recorrente, sem pausas adequadas ou suporte pedagógico formal.
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O ritmo intenso de atividades provocou impactos diretos na formação educacional do quinteto. Devido à sobrecarga das rotinas preparatórias, quatro das cinco componentes abandonaram o ensino básico antes da estreia profissional da equipe.
Cobrança estética e sanções subjetivas
O regulamento também impôs o reembolso de intervenções cirúrgicas e tratamentos estéticos sugeridos pela própria empresa. Durante a fase de preparação, a agência realizava fotos em múltiplos ângulos para avaliar detalhes da aparência, adiantava o pagamento das cirurgias plásticas e cobrava a devolução integral dos valores das artistas.
O documento previa ainda penalidades com base em critérios subjetivos. As medidas puniam condutas rotuladas como insinceras e reprimiam namoros avaliados como inadequados pelos gestores da companhia.
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Multas rescisórias e divisão de lucros
As penalidades financeiras por rompimento antecipado atingem cifras expressivas. Em uma ação que envolve uma das cantoras, a cobrança alcançou cerca de R$ 120 milhões — montante avaliado em aproximadamente R$ 658 milhões na cotação atual —, calculada exclusivamente sobre períodos lucrativos.
Além da indenização financeira, o selo garantiu o controle permanente do catálogo musical para relançamentos e novas distribuições comerciais. Com isso, os termos fixaram um corte drástico no repasse de royalties destinado às artistas após a conclusão do vínculo.
O posicionamento da Hybe
Em resposta às informações publicadas pelo The New York Times, a Hybe defendeu a validade jurídica dos acordos firmados por sua subsidiária. A companhia declarou que as assinaturas ocorreram de boa-fé e contaram com o consentimento legal dos responsáveis pelas jovens.
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A organização afirmou ainda que as orientações dos órgãos públicos têm caráter de recomendação não obrigatória. A empresa também negou a imposição de cirurgias plásticas e assegurou cumprir rigorosamente as normas voltadas à proteção da infância e da juventude.
