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Por que Kleber Mendonça Filho manteve vários sotaques em O Agente Secreto?

Cineasta defende a soberania da língua portuguesa e afirma que boas histórias transcendem fronteiras sem precisar de "americanização"

Da redação
DA REDAÇÃO

15/03/2026 • 19:37 • Atualizado em 15/03/2026 • 19:37

Kleber Mendonca com o Globo de Ouro por "O Agente Secreto"

Kleber Mendonca com o Globo de Ouro por "O Agente Secreto"

Mario Anzuoni/Reuters

Um dos grandes debates em torno da projeção internacional de "O Agente Secreto" é como termos regionais e sotaques tão específicos do Brasil foram recebidos pelo público estrangeiro. Em entrevista à Band, Kleber Mendonça Filho foi enfático ao afirmar que, como realizador, não tenta facilitar a compreensão para quem não é brasileiro. Para ele, o falar brasileiro é diverso e essa riqueza deve ser exportada exatamente como é, confiando na capacidade das legendas e da narrativa de comunicar a emoção.

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O diretor mencionou que o filme é um verdadeiro panorama de sotaques, incluindo cadências gaúchas, paulistas, paraibanas e até angolanas. Questionado sobre como expressões tipicamente nordestinas, como o "Oxe", seriam traduzidas nos Estados Unidos, Kleber defendeu que a expressão é única, mas que a tradução acaba encontrando caminhos diferentes para cada contexto.

O objetivo central é manter a honestidade da obra, permitindo que o espectador internacional mergulhe em uma realidade autêntica em vez de uma versão higienizada da cultura nacional.

Para Kleber, o cinema brasileiro tem a mesma força de contar histórias que qualquer outro país, e o segredo do sucesso internacional não está em adaptar a fala, mas em entregar um roteiro sólido e humano.

Ele acredita que o público global está cada vez mais aberto a obras que não tentam esconder suas raízes, e o sucesso de bilheteria de seu novo longa, tanto no Brasil quanto no exterior, parece confirmar que a identidade regional é, na verdade, uma ponte para o universal.

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