Netflix diz que usou inteligência artificial na produção de 300 títulos
O streaming revelou o número no Festival Internacional de Cinema de Busan e detalhou as etapas em que adota a ferramenta

REUTERS/Mike Blake
A Netflix afirmou ter usado inteligência artificial em cerca de 300 obras, inclusive em etapas como edição e efeitos visuais, durante participação no Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, segundo reportou a Variety.
Continua depois da publicidade
O diretor de produção da empresa para a região Ásia-Pacífico, Lee Sung-gyun, detalhou as diferentes fases em que o recurso tem espaço no fluxo de trabalho. Conforme o executivo, a ferramenta atua na pré-visualização, no desenho de produção, na composição dos cenários, na edição e nos efeitos visuais.
Para demonstrar os métodos operacionais, a companhia exibiu um vídeo institucional da Eyeline, divisão de efeitos da plataforma, sobre o modelo de produção híbrida, formato que reúne filmagens tradicionais, efeitos visuais e ferramentas de tecnologia generativa.
Economia orçamentária e desafios de calendário
Entre os exemplos práticos, a empresa demonstrou o uso dos recursos na composição de multidões para o filme indiano "Glory". De acordo com Lee, equipes de pós-produção habitualmente cortariam essas tomadas em razão de prazos e orçamentos restritos.
Continua depois da publicidade
O diretor Kang Yoon-sung estimou que a inteligência artificial tem potencial para baratear de 30% a 40% as despesas de um longa-metragem. Kang afirmou que cálculos reais apontaram uma diminuição de cerca de 40% no orçamento específico de "The Gulf of Aden".
Na avaliação do realizador, a redução financeira surge não apenas pela substituição de computação gráfica e efeitos visuais, mas também porque os novos sistemas tornam as filmagens mais simples e diminuem o período integral do cronograma de trabalho.
Kang codirigiu "Run to the West", obra apresentada como o primeiro longa sul-coreano a empregar tecnologia digital em toda a produção. O cineasta declarou que, no período da produção, os recursos ainda apresentavam qualidade inferior e atuaram basicamente na criação de criaturas e na composição de quadros.
Continua depois da publicidade
O papel da intervenção humana
Para Kang, o mecanismo consegue resgatar e viabilizar projetos previamente abandonados por restrições de custos. O diretor pontuou, contudo, que a automação diminui a troca de impressões e a experiência coletiva que formam a base tradicional da indústria cinematográfica.
Lee também avaliou que o maquinário computacional não substitui o trabalho criativo das equipes nos estúdios. O executivo declarou que, quando o objetivo envolve a transmissão de emoções artísticas na tela, a produção depende da intervenção de uma pessoa no fechamento do material.
