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Paul McCartney relembra fim tenso dos Beatles e ataques de John Lennon

Em entrevista, cantor revela que o atrito com o ex-companheiro de banda durante o fim do grupo causou feridas profundas, comparando as críticas a "pequenos punhais"

Da redação
DA REDAÇÃO

05/06/2026 • 21:09 • Atualizado em 05/06/2026 • 21:09

Beatles

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O músico Paul McCartney revelou que a relação com John Lennon ficou tensa no fim dos Beatles e que as críticas do ex-parceiro o machucaram profundamente. Em entrevista à NME, o cantor deu detalhes sobre o atrito e a amizade com o ex-companheiro de banda.

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"Perto do fim dos Beatles, o John estava falando muito mal de mim", afirmou McCartney. O artista contou que, na época, sentiu os ataques como algo pessoal e difícil de digerir.

"Na época, foi muito doloroso, como se cravassem pequenos punhais em mim. Era simplesmente irritante, porque você pensava: 'Tenho que responder a ele, o que eu vou fazer?'

A mágoa diminuiu quando Paul McCartney compreendeu o temperamento do amigo. O baixista explicou que mudou a percepção sobre os ataques ao recordar do histórico da dupla.

"Mas, de repente, eu percebi: 'Espera um minuto, é o John. Esse é o cara que eu conheço desde os 16 anos. É simplesmente o que ele faz'. Não doeu tanto assim quando percebi que era apenas o John sendo o John", declarou.

Ao abordar as novas letras, Paul McCartney citou a faixa "Days We Left Behind", que menciona o começo da parceria em Liverpool. "Em uma das músicas, 'Days We Left Behind', eu falo sobre 'Nos conhecemos na Forthlin Road', que é onde eu costumava morar em Liverpool, e 'Nós criamos um código secreto para nunca ser falado'", detalhou.

O compositor ressaltou que a intimidade com o antigo parceiro dispensa formalidades. "Não sinto que tenho que ser respeitoso. Ele é apenas um amigo — é só esse cara que eu conheço, e nós escrevíamos músicas juntos, então não sinto um senso de responsabilidade. Espero que seja responsável", afirmou.

Divergências financeiras e reconciliação

Paul McCartney relembrou que o desgaste entre os integrantes aumentou por divergências sobre quem deveria cuidar dos negócios da banda. Ele explicou que defendia o advogado Lee Eastman, enquanto os outros preferiam o empresário Allen Klein.

Segundo o músico, o tempo reforçou a avaliação dele sobre Klein e ajudou na reaproximação com John Lennon. "Eu tive sorte porque nós tínhamos nos separado por causa dos problemas de negócios e tudo mais, e o John acabou concordando com o meu ponto de vista de que o cara que eles queriam trazer [Klein] era um vigarista, e eu tinha sofrido porque todos eles achavam que eu era o maluco, que eu era o vigarista", relembrou.

O reconhecimento de John Lennon veio mais tarde, mesmo que de forma relutante. Paul McCartney avalia que o período difícil teve um lado necessário para a proteção do grupo.

"Então, quando se confirmou que eu tinha razão, foi bom ouvir o John dizer: 'Acho que o Paul talvez estivesse certo' — a contragosto", contou o artista. "Embora tenha sido um período doloroso, nós meio que tínhamos que passar por isso, ou alguém teria nos roubado", concluiu.

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