
Red Hot Chilli Peppers
Divulgação
O Red Hot Chili Peppers se consolidou como um dos maiores fenômenos da história da música ao popularizar o funk rock, combinando uma sonoridade inovadora com performances enérgicas de palco que já renderam mais de 80 milhões de discos vendidos ao redor do mundo. No entanto, a trajetória caótica do grupo de Los Angeles — recentemente revisitada no documentário The Rise of the Red Hot Chili Peppers: Our Brother, Hillel, lançado pela Netflix — está longe de ser uma unanimidade no meio artístico.
Apesar de aclamada pelo público, a banda formada por Flea, John Frusciante, Chad Smith e Anthony Kiedis coleciona uma série de duras críticas vindas de outros astros da indústria musical, que apontam desde falta de técnica até posturas irritantes como motivos para o ranço generalizado.
O ranço com os vocais de Anthony Kiedis
Grande parte dos ataques direcionados ao grupo tem como alvo principal o líder e vocalista Anthony Kiedis. Conhecido por suas opiniões controversas, o britânico Liam Gallagher, ex-Oasis, nunca escondeu seu desapreço pelo colega de profissão. Em 2020, ao ser questionado sobre qual artista admirava mais entre Mick Jagger, Dave Grohl e Kiedis, Gallagher ironizou: "Certamente não é aquele do 'red hot chilli com carne'". Em outro momento, o cantor diminuiu as habilidades de Kiedis, afirmando que ele "não é um músico, ele é um artista, e é isso que ele faz de melhor".
A rejeição à voz do frontman é compartilhada por Jonathan Davis, vocalista do KoRn. Davis assumiu publicamente sua aversão pelo estilo do líder do Red Hot. "Eu não entendia os Chili Peppers; o cara não sabia cantar – o baixo era bom, mas Anthony Kiedis era simplesmente irritante para mim", declarou o músico, acrescentando que a interpretação entusiasmada demais de Kiedis era o oposto do que admirava e que o grupo perdeu força após o sucesso comercial.
Críticas ao virtuosismo e o polêmico "slap" de Flea
Nem mesmo o baixista Flea, amplamente prestigiado no cenário internacional, escapou do julgamento de seus pares. Gene Simmons, a lendária voz do KISS, direcionou suas alfinetadas diretamente ao colega de instrumento. Em entrevista à revista Guitar World, Simmons reconheceu que Flea é bom no que faz, mas classificou suas linhas de baixo como totalmente esquecíveis.
"Há muitos baixistas incríveis, como Jaco Pastorius e os caras do jazz. Ou caras como Flea, que é realmente bom no instrumento, mas não consigo me lembrar de nada que ele toque – e também não gosto do som de um baixo sendo tocado com slap", disparou o linguarudo do KISS.
Rivalidades históricas, deboche e as pazes com Nick Cave
A lista de opositores inclui ainda uma rivalidade histórica com Mike Patton, líder do Faith No More, iniciada nos anos 1990. Na época, Kiedis acusou o grupo de metal alternativo de plagiar o som do Red Hot no hit The Real Thing. Patton tirou proveito da situação para provocar os rivais em entrevistas, afirmando que Kiedis deveria estar se "sentindo inadequado ou velho". A provocação atingiu o auge em um show de Halloween em Michigan, quando a banda de Patton subiu ao palco fantasiada como o Red Hot Chili Peppers, usando perucas e fazendo um medley distorcido de covers para ridicularizar os compatriotas.
Outra crítica pesada veio de Nick Cave, que certa vez definiu a sonoridade do quarteto como uma "porcaria" que o incomodava sempre que tocava no aparelho de som. Por ser uma figura altamente respeitada, o comentário de Cave abalou o Red Hot. Para a sorte dos californianos, o músico posteriormente se desculpou pelo ataque e selou a paz ao colaborar em um projeto de disco solo com o próprio Flea, provando que, entre o ódio e o amor, os Chili Peppers continuam impossíveis de serem ignorados.
Desinformação e ataques de Ed Motta
A apresentação do grupo no encerramento das Olimpíadas de Paris, em agosto de 2024, também despertou a fúria do músico brasileiro Ed Motta. Em um vídeo gravado na piscina e publicado na rede social X, o cantor criticou duramente o quarteto californiano, definindo o som da banda como "horroroso" e comparando-os pejorativamente aos Beastie Boys. Sobrou até para o virtuosismo de Flea, classificado por Motta como um baixista que toca "meio fraco".
Ao tentar justificar seu ranço histórico, Ed Motta acabou espalhando desinformação ao afirmar que o álbum de estreia do Red Hot Chili Peppers havia sido produzido por George Clinton. Na verdade, a lenda do funk americano assina a produção do segundo disco do grupo, Freaky Styley, lançado em 1985. A postura ácida do artista brasileiro não foi bem recebida na internet, e muitos fãs rebateram as críticas classificando as declarações como "resmungos de um velho frustrado" por não ter o mesmo alcance comercial e financeiro dos astros de Los Angeles.
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