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Ieda de Matos diz representar mulheres no MasterChef: "Não vim sozinha"

A baiana Ieda de Matos, natural de Utinga, integra o elenco da 6ª temporada do MasterChef Profissionais, que estreou na última terça-feira (06) na tela da

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10/10/2026 11:00 • Atualizado há 2 horas

Ieda de Matos diz representar mulheres no MasterChef: "Não vim sozinha"

Ieda de Matos, participante do MasterChef Profissionais 6

Rodrigo Moraes/Band

A baiana Ieda de Matos, natural de Utinga, integra o elenco da 6ª temporada do MasterChef Profissionais, que estreou na última terça-feira (06) na tela da Band. Criada na Chapada Diamantina, ela vem ao programa com o objetivo de dar visibilidade aos ingredientes e às tradições culinárias do sertão onde foi criada.

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Filha de agricultores e vinda de uma família com 14 irmãos, Ieda viu cedo o trabalho pesado das mulheres da casa, inclusive na cozinha. As tias costumavam preparar doces, quitutes e biscoitos, como o avoador, para vender nas feiras de fim de semana.

Por volta dos 12 anos, Ieda se mudou para São Paulo para morar com uma das tias, mas enfrentou dificuldades de adaptação. "Foi horrível para mim sair do meu ninho", recorda em entrevista exclusiva ao Band.com.br. "Eu lembro quando fui a primeira vez no mercado e tomei um leite de caixinha. Eu falei: 'Gente, que horror! Eu quero meu leite de vaca!'".

Ainda jovem, aos 18 anos, Ieda deu à luz ao seu filho, Everton, e acabou tendo que abandonar os estudos. Mesmo assim, fazer um curso de ensino superior ainda estava nos planos da baiana. "Minha tia Maria falava: 'Só a educação vai te salvar. Se você não estudar, vai ficar que nem eu. Cheguei aqui [em São Paulo], fui empregada doméstica e trabalhei demais'", relembra ao citá-la. "

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"Eu pensava assim: 'Eu não vou viver essa história. Eu vou me formar'", conta Ieda. "Sempre sonhei com uma formação em nível superior. Era meu sonho."

A luta pelo diploma e a guinada profissional

Ieda trabalhava com a venda de doces, salgados e marmitas, mas seguia com a meta de obter uma formação superior. Com o filho mais velho, ela voltou aos estudos aos 33 anos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mais tarde, após tentar um curso técnico de biblioteconomia no Senac — período em que vendia coxinhas escondida para complementar a renda —, Ieda ingressou na graduação de gastronomia, formando-se aos 42 anos.

Durante a trajetória profissional na cozinha, Ieda fez estágios na Europa, passando pela Bélgica, Espanha e Inglaterra. Ao retornar ao Brasil, a profissional iniciou o próprio negócio, o Bocapiu Food Truck. Por três anos, a baiana rodou com o veículo servindo receitas com inspiração regional.

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Em seguida, estabeleceu um restaurante próprio em Pinheiros, batizado de Casa de Ieda. O espaço tem poucos lugares, uma cozinha aberta e um conceito intimista.

Canto Criolo visita o restaurante Casa de Ieda (Reprodução/Instagram @everton.figueiredo)

Canto Criolo visita o restaurante Casa de Ieda (Reprodução/Instagram @everton.figueiredo)

Do restaurante próprio aos desafios na televisão

A visibilidade de Ieda cresceu após elogios da crítica especializada ao seu restaurante, o que lhe rendeu convites para reality shows como o "Fora da Rota", do qual saiu vencedora, e o "Iron Chef". Mais tarde, a chef também representou a gastronomia brasileira na Austrália por intermédio do Itamaraty e cozinhou em ocasiões institucionais, incluindo um jantar no qual estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente de Portugal.

A motivação para ingressar na disputa do MasterChef Profissionais parte do desejo de resgatar pratos e insumos que fizeram parte da sua história, contrariando o esquecimento dessas receitas tradicionais. "Quero terminar de contar um pouquinho minha história e 'arrengar' um pouquinho", brinca. "Eu estou contando a minha história, estou levando os meus, estou falando da minha agricultura e estou fomentando a minha Chapada Diamantina."

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Emocionada, ela destaca a representatividade como seu principal combustível na competição: "Eu sou uma pessoa que nasci na caatinga. Quantas mulheres sonham em chegar neste lugar? Quantas cozinheiras eu conheço, maravilhosas, que não têm oportunidade de chegar? Eu estou representando essas mulheres. Eu não estou aqui sozinha, eu vim com elas."

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