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Tony Ramos diz ter se preparado para morte de Benedito Ruy Barbosa; entenda

Ator e amigo do escritor de novelas lamentou a perda do artista, que morreu aos 95 anos

Da redação
DA REDAÇÃO

07/07/2026 • 10:27 • Atualizado em 07/07/2026 • 12:27

Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa

Cícero Rodrigues/Memória Globo

O ator Tony Ramos não foi surpreendido pela morte do amigo e autor de novelas Benedito Ruy Barbosa. O artista contou nesta terça-feira (7) que foi preparado pela filha do escritor, Edmara, para a possibilidade de morte dele.

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"Eu não fui surpreendido. Eu estava lamentavelmente esperando essa notícia, Edmara, a filha de Benedito já estava nos prevenindo há cerca de três dias de que lamentavelmente o grande Benedito, o Bené, estava indo embora", disse emocionado para a GloboNews.

Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça (7) em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica. A morte foi confirmada pela equipe do HCor para a Band. "A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar", diz a nota do hospital.

Na entrevista, Tony Ramos falou que a perda de Benedito Ruy Barbosa é a perda de um grande brasileiro. "A perda do Benedito, sem dúvida, é a perda de um brasileiro espiando a nossa gente com maravilhosas intenções. Ele era um homem muito criativo, dava vazão à sua imaginação, seu sonho, àquele menino de interior, ao inclusive ao grande publicitário que ele foi", afirmou.

O ator ainda afirma que Benedito entendia a alma do brasileiro e passava isso para as novelas que marcaram época na televisão. "A gente conversou sobre o país, como olhar o país sem panfletagem, entendendo a alma brasileira, as dores brasileiras e claro as grandes alegrias do brasileiro que se reinventa na dor, no cotidiano, nas buscas e necessidades. Isso tudo estava na obra dele", pontuou.

Reynaldo Gianecchini perdeu dentes durante novela do autor

Dentre as novelas de Benedito Ruy Barbosa, o autor escreveu uma que rendeu vários problemas e quase um fiasco na Globo: "Esperança". A obra, que teve a escrita dele e de Walcyr Carrasco, ainda teve um acidente de trabalho grave envolvendo Reynaldo Gianecchini e Ana Paula Arósio.

Nas gravações da novela, os atores encenavam o momento em que os personagens brigavam por conta de uma estátua. Ao tentar tirar o objeto das mãos da atriz, Gianecchini foi atingido na boca.

"Perdi quatro dentes. Foi um acidente de trabalho em cena, eu não parei a cena, continuei e foi jorrando o sangue, eu olhando os dentinhos na minha mão, me dando aquela aflição, mas aquela coisa do ator 'não vou parar'", contou Gianecchini para o "Faustão na Band", em 2022.

Apesar do acidente, Gianecchini elogiou a colega. "Foi a maravilhosa Ana Paula Arósio, mas foi um acidente de trabalho, imagina", disse.

Relembre a carreira de Benedito Ruy Barbosa

Conhecido por escrever sagas épicas na televisão, Benedito Ruy Barbosa criou tramas que mobilizaram o Brasil e fizeram sucesso nos fãs de novelas. O autor, nascido em 1931 em São Paulo, começou a carreira ao se mudar para a capital paulista e trabalhar em diversos empregos até passar um período em Maringá, no Paraná.

Na temporada rural, ele escreveu o primeiro romance da carreira: "Fogo Frio", em 1959 e que virou peça de teatro. E foi em 1954 que ele estreou como repórter no Estado de S. Paulo, na época em que a peça já fazia sucesso. Logo depois, ele foi convidado para trabalhar como roteirista e cuidou de novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive.

E foi em 1966 que ele estreou na TV com "A Vingança do Judeu", na TV Tupi. Ele ainda trabalhou na Excelsior e na Record, até entrar na Globo com "Meu Pedacinho de Chão", onde ele traz a infância e a temática rural para a televisão. Em seguida, ele escreveu "O Feijão e o Sonho", "À Sombra dos Laranjais" e "Cabocla", sucesso inspirado no livro de Ribeiro Couto.

Benedito Ruy Barbosa também foi da Band. Na emissora, ele produziu o sucesso "Os Imigrantes", em 1981. Após a passagem pelo Morumbi, ele voltou à Globo para fazer "Paraíso" e, então, seguiu a carreira de sucesso até ir para a TV Manchete, onde escreveu a novela "Pantanal", que ganhou um remake em 2022 reescrita por Bruno Luperi.

O autor também escreveu sucessos como "Rei do Gado", que o firmou como escritor de sagas na teledramaturgia, além de "Terra Nostra", que teve reapresentação neste ano na TV Globo. Ele ainda assinou remakes de "Sinhá Moça" e "Meu Pedacinho de Chão". Além destas novelas, ele também ganhou um remake de "Renascer", reescrita pelo neto, Bruno Luperi, em 2024.

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