
Vera Fischer
Reprodução/Instagram @verafischeroficial
A atriz Vera Fischer revelou nesta sexta-feira (7) que não possuía telefone celular até o ano de 2020, quando adquiriu o primeiro aparelho durante a pandemia. A declaração foi feita durante a palestra “A reinvenção digital de um ícone que atravessou todas as eras da comunicação”, realizada no encerramento do Rio Innovation Week 2026.
Aos 74 anos, a artista explicou que adquiriu o aparelho após insistência do filho mais velho e acabou descobrindo nas plataformas digitais uma forma de divulgar seu trabalho e se aproximar do público.
“Eu não queria celular porque achava que aquilo prendia a pessoa de algum jeito. Eu não me interessava por estar presa. Mas quando começou a pandemia, eu fui aprendendo por pressão do meu filho mais velho. Daí, eu descobri o Instagram e como divulgar o meu trabalho lá”, disse Vera Fischer.
A atriz relatou que passou a utilizar a rede social para compartilhar seus gostos por arte, cinema e música, o que gerou engajamento com uma nova geração de admiradores.
“Eu não sei falar de mim, mas comecei a falar das coisas que eu gostava. Dos filmes que eu assistia, dos discos que eu ouvia, de arte, e as pessoas iam interagindo e respondendo. Hoje, tenho um fã clube de jovens, e isso é incrível”, afirmou a artista.
Julgamentos da mídia e reflexões sobre a carreira
Ao abordar a velocidade da informação na imprensa, Vera relembrou como a vida off-line trazia julgamentos em outras épocas. Ela citou a repercussão da novela “Laços de Família”, em 2000, quando o envolvimento de sua personagem com Edu, vivido por Reynaldo Gianecchini, enfrentou resistência do público devido à diferença de idade de 20 anos entre o casal.
Para demonstrar a mudança de percepção da sociedade ao longo do tempo, a atriz comparou a situação ao relacionamento atual da apresentadora Ana Maria Braga com Fábio Arruda, que é 23 anos mais novo que a esposa.
“É difícil ser criticada. Aos 17 anos, eu já era Miss Brasil e fui rotulada como uma mulher bonita. Mesmo sabendo que havia muitas outras mulheres lindas, existia uma pressão. Eu fui me identificar como atriz somente aos 25 anos. E eu gosto tanto de estar num palco, de gravar projetos… Sinto que na internet as pessoas querem ouvir muito sobre isso”, ponderou Vera.
Superação na vida pessoal
Durante a apresentação, a artista abordou temas da vida pessoal e recordou o relacionamento conturbado com o pai de seu filho, Gabriel. Ela relembrou o período em que perdeu a guarda do menino, quando ele tinha apenas 4 anos.
“Eu tive um relacionamento muito tumultuado com o pai do meu filho. Ele era nove anos mais novo do que eu e, na época, isso foi uma questão a ser enfrentada. Éramos muito violentos um com o outro e eu precisei lidar com isso na terapia. Tivemos muitas brigas em público, e foi muito difícil”, declarou.
A atriz demonstrou emoção ao admitir que, se pudesse mudar algo em sua trajetória, não teria consumido drogas naquele período.
“Eu passei a me relacionar com uma galera jovem que se drogava, que ia dançar em boate e eu ficava noites fora de casa. Comecei a ficar violenta, e o pai do Gabriel também. Começamos a ter brigas em público. Por isso perdi a guarda do meu filho. Eu me internei umas duas, três vezes para deixar o vício”, revelou.
Amor pela vida e vínculo com o público
Apesar de recordar perdas familiares precoces, como a morte dos pais e do irmão eletrocutado, Vera Fischer encerrou o painel destacando a busca constante pelo otimismo e pela convivência comunitária.
“Eu perdi os meus pais muito cedo. Perdi meu irmão eletrocutado. Eu preciso ser alto astral. Preciso ter essa relação linda com meus filhos. Preciso ter essa relação com meus fãs. Eu falo com o padeiro, com as pessoas na minha vizinhança. E eu me cuido. Tenho dois gatinhos. Preciso ser assim hoje. Eu me amo! Eu amo as pessoas. Se não valer a pena, tudo bem, eu me retiro. Mas eu amo a palavra amor”, concluiu a atriz.
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