
Braisl e Haiti no Jogo da Paz, realizado no Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe, Haiti
Nilton Santos / CBF
Segundo adversário brasileiro na Copa do Mundo de 2026, Brasil e Haiti deverão se encontrar novamente no dia 19 de junho de 2026 em jogo válido pela fase de grupos. Entretanto, os países tem relações históricas além do campo de futebol.
Atualmente, o Haiti ocupa a 84ª colocação no ranking de seleções da Fifa e volta a um mundial após mais de 50 anos. Socialmente, a população vive um caos social e numa instabilidade política.
Realidade haitiana
Dados demográficos mostram que o país haitiano é o mais pobre das Américas e vivem num cenário de violência elevada. Gangues são acusadas de cometimento de assassinatos e saques a comércios. Em 2024, faccionados forçaram o então primeiro-ministro Ariel Henry a renunciar ao cargo.
Após gangues tomarem à força o controle do estádio Sylvio Castor, em Porto Príncipe, a seleção do Haiti precisou mandar seus jogos na fase final das Eliminatórias da Concacaf na ilha de Curaçao - que também se classificou para a Copa.
Jogo pela paz
O estádio Sylvio Castor, inclusive, foi palco do 'Jogo da Paz', onde a seleção brasileira realizou um amistoso contra o time da casa em agosto de 2004. A ação promovida tinha como objetivo desarmar a população e os ingressos eram distribuídos em troca de armas. Com isso, a CBF ganhou o Prêmio Fair Play da Fifa.
A partida terminou com resultado de 6 a 0 para o Brasil, com gols de Ronaldinho Gaúcho (3x), Roger Flores (2x) e Nilmar. A seleção foi comandada por Carlos Alberto Parreira e a arbitragem foi comandada por Paulo César de Oliveira.
Missão brasileira
Antes do confronto, a realidade do Haiti seguia com dificuldades. Cerca de 80% da população vivia abaixo da linha da pobreza e 50% eram analfabetos.
O Brasil enviou soldados brasileiros para a 'Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti'. As forças de paz foram comandadas pelo General de Divisão brasileiro Augusto Heleno Ribeiro Pereira - atualmente preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil. Dos 13 comandantes militares que administraram a ação de paz no Haiti, 11 foram brasileiros.
Retrospecto
Na história, as seleções já se enfrentaram duas vezes: em abril de 1974, em amistoso em Brasília e com vitória do Brasil por 4 a 0 - gols de Paulo César Caju, Rivellino, Marinho Chagas e Edu; e na fase de grupos da Copa América de 2016, em Orlando, nos Estados Unidos, com vitória brasileira por 7 a 1 - 3 gols de Phillipe Coutinho, dois de Renato Augusto, um de Gabriel Barbosa e um de Lucas Lima.
Recentemente, o Haiti ficou em segundo lugar na fase de grupos classificatória para a Copa. Foram três vitórias - Santa Lúcia, Barbados e Aruba - e uma derrota - Curaçao. Na segunda fase, terminou em primeiro na frente de Honduras, Costa Rica e Nicarágua. Um total de três vitórias, dois empates e uma derrota.
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