
Trump e Infantino
REUTERS/Mandel Ngan
A possibilidade de a Alemanha boicotar a Copa do Mundo de 2026 entrou no centro do debate político e esportivo europeu nos últimos dias. O tema ganhou força após declarações de parlamentares alemães e posicionamentos oficiais do governo federal, em meio às recentes medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Qualquer decisão, no entanto, envolve diretamente a Federação Alemã de Futebol e a FIFA, responsáveis pela participação da seleção no torneio.
O estopim da discussão foi a escalada de tensão entre os Estados Unidos e países europeus após Trump reafirmar o interesse na aquisição da Groenlândia, território pertencente ao Reino da Dinamarca. Além do discurso político, o presidente americano anunciou medidas econômicas para pressionar um acordo, o que ampliou a repercussão do tema no continente.
Trump anuncia tarifas e aumenta pressão sobre a Europa
Trump confirmou que, a partir de fevereiro de 2026, os Estados Unidos passarão a aplicar tarifas sobre produtos importados da Dinamarca e de outros países europeus, incluindo Alemanha, França e Reino Unido. A taxa inicial será de 10% e poderá subir para 25% em junho do mesmo ano, caso não haja avanço nas negociações envolvendo a Groenlândia.
Segundo o presidente americano, a medida busca corrigir o que ele considera décadas de benefícios comerciais concedidos à Europa. Trump também justificou a decisão com argumentos de segurança internacional, afirmando que o controle da ilha é estratégico diante do interesse de potências como China e Rússia.
Governo alemão mantém cautela
Diante da repercussão, o governo alemão tratou de afastar qualquer interferência política direta no futebol. Em resposta à agência AFP, a secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, afirmou que decisões sobre participação ou boicotes a grandes eventos esportivos cabem exclusivamente às federações, e não ao governo.
Segundo ela, a Alemanha respeita a autonomia do esporte e acatará qualquer definição tomada pela Federação Alemã de Futebol e pela Fifa sobre a Copa do Mundo, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México.
Parlamentares defendem reação mais dura
Apesar da posição oficial do governo, o tema ganhou espaço no Parlamento. Ao jornal Augsburger Allgemeine, o deputado conservador Roderich Kiesewetter, da CDU, afirmou que seria difícil imaginar a participação europeia no Mundial caso os Estados Unidos avancem com sanções econômicas e medidas unilaterais.
Já Jürgen Hardt, também da CDU, declarou ao Bild que um eventual boicote só deveria ser considerado como último recurso para pressionar Trump a rever sua postura. No campo social-democrata, Sebastian Roloff afirmou ao Handelsblatt que a Europa precisa discutir uma resposta conjunta diante do novo cenário.
Opinião pública e peso histórico
A discussão também dividiu a opinião pública. Pesquisa do instituto INSA, divulgada pelo Bild, aponta que 47% dos alemães apoiariam um boicote à Copa do Mundo caso os Estados Unidos anexem a Groenlândia, enquanto 35% se posicionaram contra.
Tetracampeã mundial, a Alemanha nunca deixou de disputar uma Copa do Mundo desde 1950. Uma eventual ausência em 2026 teria impacto simbólico significativo. Até o momento, porém, não há qualquer decisão oficial. O debate segue aberto, enquanto a Federação Alemã de Futebol e a Fifa acompanham a evolução do cenário político internacional.
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