Esporte na Band

Ancelotti defende base e diz que Brasil precisa “educar o talento”

Técnico participa de reunião da CBF e destaca formação humana, equilíbrio no treino e foco em mente forte para jovens atletas

Da redação
DA REDAÇÃO

27/04/2026 • 16:38 • Atualizado em 27/04/2026 • 16:38

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira

WILLIAM VOLCOV/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Resumo

Ancelotti participou, nesta segunda-feira (27), da abertura do Grupo de Trabalho da Base da CBF e destacou que o Brasil não precisa criar talento, mas educá-lo dentro das categorias de base.

O treinador defendeu um processo de formação que respeite a idade dos atletas e priorize o desenvolvimento técnico, físico e, principalmente, humano.

Por fim, reforçou que o futebol deve formar pessoas, com foco em caráter, disciplina e resiliência, além de atletas preparados.

Carlo Ancelotti participou, nesta segunda-feira (27), da reunião de abertura do Grupo de Trabalho da Base Brasileira da CBF e apresentou a linha de pensamento do projeto voltado às categorias de base. O treinador destacou que o Brasil já é reconhecido mundialmente pelo talento de seus jogadores, mas reforçou que a proposta não é criar esse talento, e sim orientá-lo dentro de um processo mais amplo de formação.

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O técnico italiano iniciou sua fala ressaltando a tradição do futebol brasileiro, frequentemente admirado pela criatividade e qualidade dos atletas revelados no país. Segundo ele, esse diferencial é algo natural, que não pode ser construído artificialmente, mas pode — e deve — ser desenvolvido de forma adequada.

“O talento não se pode formar. Este projeto nasce não para formar talento. Este projeto nasce para educar o talento, porque o talento não se pode criar, mas se pode educar.”

Ao detalhar o projeto, Ancelotti explicou que a formação precisa respeitar as etapas de crescimento dos jovens atletas. O treinador destacou a importância de adaptar o treinamento conforme a idade, levando em conta aspectos físicos, técnicos e o momento de desenvolvimento de cada jogador.

Ele citou como exemplo a diferença entre atletas de 14 e 18 anos, reforçando que o trabalho precisa ser individualizado e equilibrado, sem antecipar exigências que não correspondem à fase do jogador.

“O projeto nasce para educar não só o atleta, mas para educar pessoas. É muito difícil chegar ao profissional, mas podemos formar pessoas positivas para o futuro.”

Além da parte esportiva, o treinador enfatizou o papel do futebol na formação de valores. Para Ancelotti, o ambiente das categorias de base deve contribuir para o desenvolvimento do caráter, preparando os jovens para diferentes caminhos, dentro ou fora do esporte.

“O esporte é uma ferramenta fundamental para a construção do caráter. Educar para ser positivo, resiliente e disciplinado é fundamental.”

Na parte final do discurso, o técnico ampliou o olhar sobre o futebol como um sistema que envolve diversas áreas, como arbitragem e administração. Ele destacou que o investimento na base é estratégico para o futuro do esporte no país, com foco no desenvolvimento completo dos jovens.

“Queremos criar não perna forte, mas mente forte.”