
Jardine chegou ao América em junho de 2023, mas corre o risco de deixar o cargo antes de completar três anos
Divulgação: América-MEX
André Jardine está à frente do América do México desde junho de 2023. Mas enfrenta no momento uma pressão inédita, que pode custar a ele o cargo de técnico da equipe.
O time vive uma temporada de oscilação. Nos últimos 12 jogos, foram quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Nas últimas cinco partidas, não venceu nenhuma, com quatro empates e uma derrota.
Eliminado pelo Monterrey nas quartas de final do Torneio Apertura da liga mexicana, o América é apenas o sexto colocado do Torneio Clausura com 18 pontos – o Chivas Guadalajara lidera com 31. Na Liga dos Campeões da Concacaf, está nas quartas de final e precisa passar pelo Nashville SC para avançar às semifinais – no jogo de ida fora de casa, empate por 0 a 0. As duas equipes se enfrentam novamente em 14 de abril no Estádio Azteca.
Insistência em brasileiros?
Na imprensa, o trabalho de Jardine vem sendo alvo de duras críticas. “Senhor Jardine, você trouxe os seus e não deu certo. Hoje posso ir ao vestiário e te dizer que agradeço pelo que fez pelo América, mas é hora de descansar. Não dá”, detonou Álvaro Morales, narrador da ESPN local após o empate por 1 a 1 fora de casa do último domingo (5) com o Santos Laguna, lanterna do Clausura mexicano.
“André Jardine espera um verdadeiro milagre para chegar à final da Concacaf: ele precisaria que Raphael Veiga, Lima e Rodrigo Dourado fizessem mágica e que os torcedores do América parassem de se preocupar com o futuro da comissão técnica. Mas foi o próprio treinador quem escolheu seus heróis brasileiros, e até agora, eles parecem mais executores do que aquele que os trouxe”, analisou o jornalista Edoardo Avila, diretor da sucursal mexicana do jornal espanhol Marca.
Mas Jardine também encontra apoio em meio às críticas. O comentarista David Faitelson, do canal TUDN, insinuou possíveis interesses nas críticas ao treinador brasileiro, inclusive de próprios colegas de emissora.
A imprensa não cita possíveis candidatos à vaga de André Jardine no América.
A salvação
Ao longo de quase três anos no América, André Jardine conquistou seis títulos – entre eles, dois do Apertura (2023 e 2024), um do Clausura (2024), e a Copa dos Campeões (2024). Mas passou em branco em 2025, e viu a cobrança aumentar em 2026.
A salvação pode ser o título da Concachampions e a vaga no Mundial de Clubes de 2026. E o próprio treinador brasileiro abraça a campanha rumo ao que classificou como “um sonho”.
“Tudo começa com um sonho. Sonhamos em disputar o Mundial de Clubes, que nossa torcida possa desfrutar do América em competições do mais alto nível”, disse. “Tenho a sensação de que este sonho escapou comigo algumas vezes, e esta é mais uma oportunidade que temos. Os jogadores estão cientes de que é um sonho coletivo do clube, do dono, da torcida. Isto nos enche de motivação, de vontade de conseguir triunfar”, completou.
Se passar pelo Nashville SC, o América enfrenta nas semifinais o vencedor de Tigres e Seattle Sounders. Uma eventual final sai dos confrontos do outro lado da chave: Toluca x Los Angeles Galaxy e Cruz Azul x Los Angeles FC. Para Jardine, há motivos para acreditar em classificação no jogo de volta.
“Creio que o América, obviamente, sempre é mais forte quando joga em casa. No México, temos muita torcida onde vamos, é claro, mas nesta competição o fator local é muito importante”, afirmou.
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