O Corinthians não entregou ao Ministério Público os extratos de seus cartões corporativos na última sexta-feira (5), ao contrário do que o clube havia divulgado em nota oficial. A informação foi revelada pela jornalista Marília Ruiz no programa Apito Final, da Band, neste domingo (7).
Segundo a comentarista, que conversou com o promotor Cássio Conserino, responsável pelo caso, a expectativa é que os documentos, que cobrem um período de sete anos, sejam entregues nesta segunda-feira (8).
A investigação do MP, que começou a partir de uma denúncia focada nas gestões de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, foi ampliada para incluir também a atual administração de Augusto Melo. Durante o programa, Marília Ruiz esclareceu que a apuração vai além do uso antiético dos cartões para despesas pessoais, como compras em açougues e farmácias.
"Não é crime você comprar carne com o cartão corporativo. O que o Ministério Público investiga é se houve crime financeiro", explicou a jornalista. A suspeita principal é o uso dos cartões para pagamentos a empresas com CNPJs "fantasmas", o que poderia configurar um esquema de desvio de dinheiro.
Gasto de R$ 230 mil em cartão corporativo
A comentarista trouxe novos detalhes sobre o caso. Segundo ela, foi identificado um gasto de mais de R$ 230 mil em fevereiro deste ano em um cartão corporativo. Em comparação, o cartão do atual presidente, Augusto Melo, registrou um gasto de apenas R$ 10,97 no mesmo mês.
"Não é o mesmo número do cartão que o Andrés [Sanchez] usava. Emitiu-se um cartão em nome de outras pessoas", revelou Ruiz, apontando para uma suspeita de falsidade ideológica. Ela ainda informou que a gerente da agência bancária que atende o Corinthians já foi ouvida e afirmou que apenas o presidente ou o diretor financeiro do clube poderiam autorizar a emissão de novos cartões.
Quesada questiona gastos
Leandro Quesada questionou se o dinheiro eventualmente desviado retornaria aos cofres do clube, mas Neto reforçou que a principal questão é a moral e a punição dos responsáveis para coibir futuras práticas. "Para mim, o mais importante não é o valor. É quem fez a coisa errada ser punido por isso e ninguém mais fazer", concluiu.
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