
Para dirigente, 'o futebol vai perder a geração mais jovem' se mantiver o formato histórico das partidas
Mario Anzuoni/Reuters
Em uma entrevista ao site The Athletic publicada nesta terça-feira (14), o cineasta italiano Aurelio de Laurentiis, proprietário do Napoli, ofereceu sugestões para que o futebol consiga atrair a atenção de gerações mais jovens.
Para o dirigente, “o futebol vai perder a geração mais jovem” caso mantenha o formato histórico das partidas. Por isso, ele sugeriu adequações às partidas e às competições.
“A nova geração é nosso ouro”, comparou. “Se nós não agradarmos, nós vamos morrer. Você não vai ter a mesma participação que tinha há cem anos.”
Confira as ideias propostas por Aurelio de Laurentiis:
Tempos menores
Entre outras propostas, o dono do Napoli sugere que os jogos tenham dois tempos de 25 minutos, contra os tradicionais dois tempos de 45 minutos (mais acréscimos).
“Eu vou reduzir de 45 minutos cada (tempo) para 25 minutos”, afirmou.
Intervalos mais curtos
Para Aurelio de Laurentiis, as partidas não precisam de 15 minutos de intervalo entre o primeiro e o segundo tempos. A ideia, para ele, é tornar este intervalo mais curto.
“Imagine meu neto de seis anos que sabe tudo (sobre futebol), porque ele joga no PlayStation. Ele vai fugir. E você acha que ele volta depois de 15 minutos? Nunca. Porque ele vai para o quarto, ele começa a jogar Fifa”, disse.
Menos impedimentos, mais gols
Aurelio de Laurentiis sugere que as arbitragens sejam mais permissivas com impedimentos, evitando anular gols que sejam marcados por jogadores que tenham pouca vantagem em posição irregular.
“Você precisa ter mais gols. E para ter mais gols, você precisa mudar as regras”, concluiu. “Você não pode anular um gol por causa de alguns milímetros. O impedimento precisa ser mudado também, e muito.”
Sem cidades pequenas
Para Aurelio de Laurentiis, o futebol não tem espaço para clubes de cidades menores.
“Não dá para ter (um time de) cidade com 50 mil habitantes”, vaticinou. “Porque quando o time passa na DAZN ou na Sky, quantas pessoas assistem? Três mil? Quatro mil? Por que a Sky ou a DAZN pagaria muito dinheiro por este tipo de jogo?”
O dirigente acredita que os times na elite do futebol precisam ter “pelo menos 1 milhão de torcedores”. “Se você tem 100 mil ou 200 mil, você precisa estar em outra sessão”, acredita.
Segundo o censo realizado na Itália em 2025, a cidade de Nápoles tem 908 mil habitantes. É a terceira maior do país, atrás de Roma (2,7 milhões) e Milão (1,3 milhão), e à frente de Turim (856 mil) e Palermo (625 mil).
Fim da cera?
O dono do Napoli acredita que qualquer jogador precisa ser retirado de campo para receber atendimento médico, para que o jogo flua de maneira mais rápida.
“Você não pode ficar caído no gramado e fingir como se fosse um ator”, comparou. “Não, você vai sair.”
Sem cartões
Adotados para facilitar a comunicação entre árbitros e jogadores, os cartões seriam abolidos por Aurelio de Laurentiis. Para o dirigente, basta afastar jogadores temporariamente das partidas.
“Eu nunca vou usar um cartão amarelo ou um cartão vermelho”, garantiu, propondo alternativas. “Eu diria: ‘Ei, você! Saia por cinco minutos’ (no caso de um cartão amarelo). E: ‘Ei, você! Saia por 20 minutos no caso de um cartão vermelho’.”
Times dos EUA na Liga dos Campeões
Durante um evento acompanhado pelo site, Aurelio de Laurentiis ofereceu mais uma ideia, agora para atrair a audiência do mercado norte-americano para o futebol europeu: incluir times da Major League Soccer no torneio.
“Por que é que eles não propõem ao (presidente da Uefa, Aleksander) Ceferin que coloque de três a cinco times americanos para jogar a Champions League?”, perguntou, imaginando “os melhores de Nova York, os melhores de Boston” no torneio.
‘Supercampeonato’
Aurelio de Laurentiis defendeu a criação de um torneio que reúna as principais equipes de Itália, Espanha, Alemanha, Inglaterra e França. A proposta é semelhante à ideia de uma Superliga Europeia, apresentada inicialmente em 2021 e alvo de grande resistência até que fosse descartada.
O dirigente evitou chamar o torneio de Superliga – preferiu o termo Supercampeonato. Mas repetiu o projeto de uma disputa restrita a determinados times, rebaixando os campeonatos nacionais a um segundo patamar.
“A França provavelmente tem três times importantes. A Alemanha tem quatro. A Itália tem cinco: Juventus, Inter, Milan, Napoli e Roma. A Inglaterra tem cinco times importantes. A Espanha tem quatro times importantes. Você junta eles e cria uma competição realmente grande”, disse. “Então, você pega os outros times da Serie A (italiana) e os melhores da Serie B para criar uma nova Serie A.”
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