FÓRMULA 1

Da ascensão ao escândalo do Singapuragate: como Flavio Briatore retornou à Fórmula 1

Empresário italiano construiu uma carreira meteórica no automobilismo ao liderar Benetton e Renault, mas também marcada por diversas polêmicas

Da redação
DA REDAÇÃO

07/05/2025 • 14:59 • Atualizado em 07/05/2025 • 14:59

A trajetória de Flavio Briatore da ascensão ao escândalo e retorno à Fórmula 1

A trajetória de Flavio Briatore da ascensão ao escândalo e retorno à Fórmula 1

Fórmula 1

Após 16 anos, Flavio Briatore retorna ao seu maior posto na Fórmula 1: chefe de equipe. O empresário italiano assumiu o posto na Alpine após a renuncia por motivos pessoais de Oliver Oakes, nesta terça-feira (6).

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Relembre a trajetória de Briatore, até o escândalo do Singapuragate, o banimento da Fórmula 1 e à volta a um dos postos mais altos dentro de uma equipe na categoria. Curiosamente, no mesmo cargo que ocupava na época da armação no GP de Singapura de 2008.

Com uma trajetória única na F1, o empresário italiano conta com quatro títulos mundiais. Porém, as polêmicas podem ser consideradas companheiras de Briatore até mesmo fora das pistas.

Dos escândalos financeiros ao sucesso na moda

O começo da vida de Flavio Briatore

O começo da vida de Flavio Briatore

Reprodução

  • Flavio Briatore nasceu em Verzuolo, na região montanhosa do Piemonte, na Itália, em 1950. O italino chegou a ser dono de um restaurante, passou por diversos empregos e acumulou acusações de golpes e fraudes financeiras em sua ficha.
  • Na década de 80, para não ser preso, o Tribula - apelido dado na Itália a pessoas inquietas - fugiu para as Ilhas Virgens e, em seguida, para os Estados Unidos. Em solo americano, Briatore se reinventou como executivo da marca Benetton, ajudando a expandir a rede de lojas no país.

O começo na Fórmula 1

Michael Schumacher e Flavio Briatore na Benetton

Michael Schumacher e Flavio Briatore na Benetton

Fórmula 1

  • Briatore teve o seu primeiro contato com a Fórmula 1 em 1988, quando Luciano Benetton, cofundador da marca, o levou para assistir ao GP da Austrália. Rapidamente ascendeu dentro da marca, e em 1989 já era chefe de equipe da scuderia.
  • Não demorou muito e o empresário italiano já dava suas cartas no paddock. Em 1991, “roubou” Michael Schumacher da Jordan após uma corrida. Não demorou muito e, em 1994, a “equipe da marca de roupas” conquistava o seu primeiro título mundial.
  • No final do mesmo ano, Briatore comprou a francesa Ligier para adquirir o direito de uso dos motores Renault, fornecedora direta de sua maior rival do grid: a Williams. Repetiu a dose em 1995 e conquistou o bicampeonato. Porém, em 1997, Briatore foi demitido do cargo.

Fim da Benetton, começo da Renault

Flavio Briatore e Fernando Alonso na Renault

Flavio Briatore e Fernando Alonso na Renault

Fórmula 1

  • Após a venda da Benetton, Briatore permaneceu no comando quando a equipe foi adquirida pela Renault em 2001.
  • Sob Briatore, a Renault rompeu a hegemonia da Ferrari e de Schumacher, transformando Alonso em estrela global e conquistando os títulos de 2005 e 2006.
  • Contudo, o trabalho de Briatore na Renault foi encerrado de forma desastrosa em 2009. Por causa do Singapuragate, Briatore chegou a ser banido do esporte pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Contudo, Flavio conseguiu reverter a decisão em 2010 nos tribunais franceses.

O que é o escândalo de Singapuragate?

Entenda o que foi o escândalo de Singapuragate na F1 -Reprodução/FOM

Entenda o que foi o escândalo de Singapuragate na F1 -Reprodução/FOM

  • O Singapuragate é considerado o maior escândalo da Fórmula 1. Tudo aconteceu no GP de Singapura, a 15ª corrida da temporada de 2008.
  • Nelson Piquet Júnior, filho do tricampeão mundial Nelson Piquet, pilotava pela Renault ao lado de Fernando Alonso. A pedido do chefe Flavio Briatore e do engenheiro Pat Symonds, ele colidiu intencionalmente na curva 14 do circuito.
  • A batida forçou o safety car, que acabou ajudando o espanhol Fernando Alonso a vencer a corrida e indiretamente prejudicou Felipe Massa.
  • Com bandeira amarela, o brasileiro entrou nos boxes. Acontece que a Ferrari liberou o piloto com a mangueira de reabastecimento ainda presa ao carro. Com o erro da equipe italiana, Massa despencou na classificação e não pontuou na corrida. De quebra, ele ainda foi punido por quase tocar em Adrian Sutil, da Force India-Ferrari, ao ser liberado de forma insegura na parada.

Consequências e punições após o Singapuragate

  • A batida proposital de Nelsinho Piquet no muro do circuito de Singapura, a mando do chefe da equipe, Flavio Briatore, rendeu punições severas.
  • Briatore foi banido definitivamente da F1. Pat Symonds foi suspenso por cinco anos. E Nelsinho Piquet viu encerrar logo em seguida a sua promissora carreira na categoria. Apenas Fernando Alonso, o grande beneficiado, seguiu ileso.

O retorno de Briatore

Flavio Briatore no GP do Bahrein de 2024

Flavio Briatore no GP do Bahrein de 2024

Reuters

  • No dia 21 de junho de 2024, o italiano foi contratado pelo CEO do Grupo Renault, Luca de Meo, para o cargo de conselheiro executivo da equipe francesa.
  • Quase um ano depois, o chefe de equipe da Alpine, Oliver Oakes, renunciou ao cargo. Em comunicado oficial divulgado pela equipe francesa, Flavio Briatore assumiu o posto dentro. Um dia depois, acontece a troca entre Franco Colapinto e Jack Doohan, a primeira marca de Briatore dentro da equipe.