Quem gosta de Fórmula 1 já se acostumou com um começo “em etapas” da temporada - pelo menos no que se refere ao visual dos carros. Nos últimos anos, tornou-se comum que os primeiros testes sejam feitos com uma pintura provisória, antes que o visual definitivo alinhe no grid.
Mas muita coisa já aconteceu entre uma coisa e outra. Entre lançamento, teste e estreia oficial, já teve equipe que precisou mudar em cima da hora a pintura que iria utilizar.
Este ano, a Fórmula 1 promoverá uma cerimônia de lançamento da temporada, com a apresentação conjunta das pinturas das 10 equipes. O evento acontece na próxima terça-feira (18), com transmissão de Bandsports, Bandplay e Band.com.br ao vivo a partir de 16h30.
O Band.com.br lembra aqui seis casos de equipes que apresentaram carros que não correram. Confira:
Tyrrell 018 (1990)
Depois de conquistar bons resultados em 1989, a Tyrrell ensaiava um retorno ao pelotão da frente da Fórmula 1 em 1990. Para isso, entre outras coisas, fechou um patrocínio com a Rothmans, marca de cigarros que ja havia marcado época durante a década de 1980 no Mundial de resistência.
Uma primeira versão do Tyrrell 018 foi apresentada para 1990, com a pintura em azul e branco e a logo da empresa nas laterais. No entanto, por alguma razão, o acordo acordou naufragando.
A Tyrrell correu em 1990 com os carros em azul e branco, mas exibindo poucos patrocínios. A Rothmans, por sua vez, apareceria na F1 entre 1994 e 1997 como patrocinadora da Williams.
DAMS GD01 (1995)
Fundada em 1988, a organização francesa se notabilizou com participações em diversas categorias, como a Fórmula 2 (e suas antecessoras GP2 e Fórmula 3000), e a Fórmula E (como e-DAMS). Mas também tentou a sério uma vaga na Fórmula 1.
O time iniciou os planos em 1994, mas as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger fizeram a categoria aumentar as exigências de segurança - assim, o lançamento previsto para 1995 foi atrasado. Para dificultar ainda mais, a concorrência de outras equipes francesas na F1, como Ligier e Larousse, atrapalhava a captação de patrocínios.
Em agosto de 1995, o carro chegou a ser apresentado à imprensa em um evento no Circuito de La Sarthe. O modelo chegou a ser testado meses depois por Jan Lammers e Érik Comas, mas com desempenhos ruins. Com dificuldades financeiras, o plano foi abortado.
BAR 01 (1999)
A BAR estreou na F1 em 1999, como iniciativa da British American Tobacco. Logo de cara, a empresa quis emplacar uma novidade: dois carros com pinturas diferentes, promovendo duas marcas diferentes de seu portfólio.
Na apresentação, o carro de Jacques Villeneuve exibia uma pintura em vermelho e branco, enquanto o de Ricardo Zonta apareceu em azul e amarelo. A FIA, no entanto, barrou: por regulamento, a equipe teria que correr com carros das mesmas cores, com as diferenças restritas à identidade (nome e número) dos pilotos.
A solução foi uma pintura pouco atraente: o visual vermelho e branco de um lado, azul e amarelo do outro. Unindo os dois lados, a estampa de um zíper que deixava um bico prateado à vista.
Force India VJM10 (2017)
Em 2017, a Force India lançou o modelo VJM10 nas mesmas cores com as quais vinha correndo até então: um carro predominantemente prateado, com detalhes em preto, laranja e verde.
No entanto, já após os testes de pós-temporada, a equipe indiana conseguiu um vantajoso acordo de patrocínio com a BWT, marca de água mineral. A proposta era pintar os carros de cor de rosa.
Assim foi feito. Até a véspera do GP da Austrália de 2017, a equipe compareceu a eventos com uniformes em preto e laranja. No dia dos primeiros treinos livres, porém, carros e macacões já apareceram em cor de rosa.
Williams FW43 (2020)
A Williams chegou a ir para a pré-temporada de 2020 com um inusitado visual em vermelho, azul e branco. Um oferecimento do patrocínio da Rokit, que havia estreado no ano anterior.
No entanto, a equipe rompeu com a empresa em maio, antes mesmo de ir para a pista - a temporada começou com atraso em decorrência da pandemia da Covid-19.
Quando o campeonato foi para a pista, o FW43 tinha um visual bem diferente, majoritariamente branco com detalhes em tons de azul. E sem o patrocínio da Rokit.
Haas VF-22 (2022)
A Haas lançou o carro para a temporada para a temporada 2022 com o mesmo visual de 2021, em uma pintura branca com detalhes em vermelho e azul. As cores era uma referência à Uralkali, empresa patrocinadora do piloto russo Nikita Mazepin.
Mas Mazepin foi dispensado no começo de 2022, em decorrência do conflito entre Rússia e Ucrânia. Com isso, a equipe norte-americana rompeu também com a patrocinadora, mudando as cores no começo do ano.
No fim de fevereiro, a Haas foi para os testes de pré-temporada com um carro branco e poucos detalhes em vermelho e preto, já sem detalhes azuis. Quando o campeonato começou, o modelo VF-22 correu com as cores definitivas: branco, com detalhes em vermelho e preto.

