Fórmula Indy

A história das 500 Milhas de Indianápolis na Fórmula 1

Corrida mais rápida da Terra fez parte do calendário da F1 por 11 temporadas, entre 1950 e 1960

GABRIEL ALBERTO

23/05/2026 • 09:00 • Atualizado em 23/05/2026 • 09:00

Juan Manuel Fangio nas 500 Milhas de Indianápolis de 1958

Juan Manuel Fangio nas 500 Milhas de Indianápolis de 1958

Indy

Para alcançar a Tríplice Coroa do Automobilismo, o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Indianápolis precisam ser batidos, e apenas um piloto conseguiu esse feito: Graham Hill.

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Porém, o mais curioso na história da coroa é que duas joiais compartilharam o mesmo calendário durante onze temporadas: Indianápolis e Monte Carlo. De 1950 até 1960, o Motor speedway fez parte da Fórmula 1 em seu surgimento, para dar o tom “global” a mais nova categoria da época.

Mundial de Fórmula 1

Quando a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) fundou o Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1950, a categoria nasceu essencialmente europeia, com seis etapas no Velho Continente. Para justificar o rótulo de "Mundial", a federação decidiu incluir as 500 Milhas.

A ideia era unir as bases de fãs europeias e americanas do automobilismo, ainda mais com uma corrida já consolidada e que era disputada desde 1911. Porém, as equipes da F1 não gostaram muito de cruzar o Oceano Atlântico para disputar uma corrida em um oval.

Além disso, o desafio técnico era abissal. Ajustar um carro de "Grand Prix" para as exigências de Indianapólis era quase como ter que criar um carro do zero, só para disputar aquela prova. Suspensões assimétricas, desgaste desigual de pneus e velocidades constantes... era uma tarefa ingrata para os engenheiros europeus.

Ao longo de 11 anos, a interação foi quase nula e um dado é curioso: 158 pilotos americanos competiram na F1 durante esse período (quase todos apenas na Indy 500), comparado aos 164 pilotos do Reino Unido que passaram por toda a história da categoria.

Alberto Ascari com sua Ferrari para as 500 Milhas de Indianápolis de 1952 -Crédito: Indianapolis Motor Speedway

Alberto Ascari com sua Ferrari para as 500 Milhas de Indianápolis de 1952 -Crédito: Indianapolis Motor Speedway

Apenas poucos nomes da Fórmula 1 passaram por Indianápolis durante essa época. Alberto Ascari foi o único grande nome a alinhar no grid em 1952 com a Ferrari. Apesar do esforço da Scuderia de Maranello, que inscreveu quatro carros (apenas um se classificou), Ascari abandonou a prova com problemas mecânicos.

Juan Manuel Fangio tentou a sorte em 1958, mas sequer conseguiu se classificar para a largada. Nino Farina, o primeiro campeão da história da F1 também falhou em sua tentativa de classificação em 1956.

Entre 1950 e 1960, esses foram o vencedores das 500 Milhas de Indianápolis:

  • 1950 – Johnnie Parson (Wynn’s Kurtis)
  • 1951 – Lee Wallard (Belange)
  • 1952 – Troy Ruttman (Agajanian)
  • 1953 – Bill Vukovich (Full Injection Spec.)
  • 1954 – Bill Vukovich (Full Injection Spec.)
  • 1955 – Bob Sweikert (John Zink Spec.)
  • 1956 – Pat Flaherty (Zink Spec.)
  • 1957 – Sam Hanks, equipe Bolond Exhaust)
  • 1958 – Jimmy Bryan (Bolond)
  • 1959 – Rodger Ward (Leader Car)
  • 1960 – Jim Rathmann (Ken Paul)

Quando perde, o interesse vem

Ironicamente, foi após a retirada da Indy 500 do calendário da F1 em 1961 que a influência europeia realmente transformou Indianápolis. Atraído pelas premiações astronômicas, Colin Chapman levou a Lotus para os Estados Unidos em 1963.

Graham Hill comemora vitórias das 500 Milhas de Indianápolis em 1963

Graham Hill comemora vitórias das 500 Milhas de Indianápolis em 1963

Crédito: Indy

Com Jim Clark ao volante, o carro de motor central-traseiro da Lotus — uma filosofia pura de F1 — chocou os tradicionais carros de motor dianteiro americanos. Clark terminou em segundo em '63, fez a pole em '64 e triunfou com maestria em 1965. Em 1966, Graham Hill venceu com um Lotus-Ford. Ao final daquela década, os pesados "front-engine" eram peças de museu, substituídos pela sofisticação aerodinâmica inspirada na Fórmula 1.

O Retorno ao Templo: O Circuito Misto (2000–2007)

Após 40 anos, a F1 retornou a Indianápolis no ano 2000, mas a categoria utilizou um circuito misto de 4,192 km (2,605 milhas) com 13 curvas, rodando no sentido horário (oposto do oval). O traçado incorporava a icônica reta principal e a curva 1 do oval, conectadas a uma nova e complexa seção interna.

A reinauguração foi um sucesso de público, rendendo ao Indianapolis Motor Speedway (IMS) o prêmio de melhor promotor do ano pela FOCA (Associação dos Construtores da Fórmula 1). No entanto, o retorno foi marcado pelo pífio Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2005.

O início da prova seguiu o protocolo normal. Os 20 carros alinharam no grid e partiram para a volta de formação. Mas, ao chegarem à curva 13, os 14 carros com pneus Michelin entraram nos boxes e abandonaram. Restaram apenas seis carros, das equipes Ferrari, Jordan e Minardi, todos calçados com Bridgestone.

Pódio do GP dos Estados Unidos de 2005 foi composto por Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Tiago Monteiro

Pódio do GP dos Estados Unidos de 2005 foi composto por Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Tiago Monteiro

Crédito: Fórmula 1

Com o abandono em massa, o público explodiu em vaias. Michael Schumacher e Rubens Barrichello lideraram sem oposição, seguidos por Tiago Monteiro e Narain Karthikeyan (Jordan), e Christian Albers e Patrick Friesacher (Minardi).

Para minimizar o desastre, a Michelin anunciou que reembolsaria integralmente os torcedores que compraram ingressos e ofereceria 20 mil entradas gratuitas para o GP dos EUA de 2006. Como gesto simbólico, uma semana depois, a etapa da Champ Car (Fórmula Indy) em Cleveland concedeu entrada gratuita a quem apresentasse o bilhete do infame GP de 2005.