Fórmula Indy

Beijar tijolo? Tradição em Indianápolis começou com Gil de Ferran em 2003

Indianapolis Motor Speedway carrega o apelido de “Brickyard” ligado à sua construção em 1909, porém comemoração só surgiu 94 anos depois

GABRIEL ALBERTO

22/05/2026 • 09:23 • Atualizado em 22/05/2026 • 09:23

Tony Kanaan beija linha de chega após vencer as 500 Milhas em 2013

Tony Kanaan beija linha de chega após vencer as 500 Milhas em 2013

Indy

O Indianápolis Motor Speedway (IMS) é o palco de uma das obsessões mais antigas do esporte a motor: a busca pela velocidade pura. O circuito carrega o apelido de “Brickyard” por um motivo ligado à sua construção em 1909 e a primeira edição das 500 Milhas em 1911.

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Após uma estreia caótica com uma superfície improvisada, feita de cascalho, calcário, piche e óleo, a administração optou por uma solução mais segura e durável. Em apenas 63 dias, cerca de 3,2 milhões de tijolos foram assentados.

Embora o asfalto tenha tomado conta do circuito ao longo das décadas, grande parte desses tijolos originais ainda está lá: enterrados sob o asfalto da pista de 2,5 milhas. Segundo a direção do circuito, correr em Indianápolis hoje significa, literalmente, competir sobre a mesma base utilizada nas primeiras edições da Indy 500.

A evolução de Indianápolis

Evolução do asfalto de Indianápolis desde 1911

Evolução do asfalto de Indianápolis desde 1911

Crédito: Indy

Nos anos 1930, o asfalto começou a ser aplicado nas curvas, seguido pela reta oposta em 1939. A reta principal permaneceu de tijolos até 1961, quando, após a vitória de A. J. Foyt, recebeu sua primeira camada de asfalto, mantendo apenas a linha de chagada sem.

Em 1976, recebeu a primeira grande repavimentação completa desde a era dos tijolos. Novas camadas foram adicionadas em 1988 e 1995, sendo que esta última marcou a primeira vez em que parte do asfalto antigo foi removido antes da aplicação de uma nova superfície.

A tradição do “kissing the bricks”

Toda essa história caminha para uma das tradições mais emblemáticas do automobilismo: o beijo no tijolo. Porém, essa história não começa com isso e, sim, com outra categoria nos Estados Unidos.

Em agosto de 1994, Indianápolis quebrou a longa tradição de realizar apenas uma corrida por ano ao receber a NASCAR para a edição inaugural da Brickyard 400. A corrida foi vencida por Jeff Gordon, mas não houve nenhuma comemoração especial. O mesmo aconteceu com a corrida de 1995, vencida por Dale Earnhart.

Dale Jarrett e Todd Parrott beijam a linha de chegada de Indianápolis em 1996

Dale Jarrett e Todd Parrott beijam a linha de chegada de Indianápolis em 1996

Crédito: NASCAR

A prática começou em 1996, quando o piloto Dale Jarrett celebrou sua vitória na prova no local. Desde então, o ritual foi incorporado também pelos vencedores das 500 Milhas. Ricky Rudd beijou em 1997 e no ano seguinte, Jeff Gordon repetiu a cena ao lado de sua equipe.

Gil de Ferran durante comemoração após vencer as 500 Milhas em 2003

Gil de Ferran durante comemoração após vencer as 500 Milhas em 2003

Crédito: McLaren

A prática, porém, só foi incorporada à Indy em 2003. Na ocasião, Gil de Ferran superou o companheiro na Penske, Helio Castroneves, que buscava sua terceira vitória consecutiva na prova. Após o gesto, Gil chamou o companheiro e ambos escalaram a cerca, unindo duas formas emblemáticas de celebração.