Em Regiolo, no norte da Itália, futebol é mais do que um esporte — é raiz, identidade. Foi lá que nasceu Carlo Ancelotti, o “Carleto”, filho de um fazendeiro, que aprendeu desde cedo o valor da calma, da disciplina e do trabalho em silêncio. Muito antes de se tornar o técnico mais vitorioso da história do futebol, ele era apenas um garoto que chutava bola no campo do Oratório e ouvia partidas pelo rádio.
A pequena cidade da Emília-Romanha, com pouco mais de 9 mil habitantes, guarda lugares marcantes na trajetória de Ancelotti. O restaurante do amigo Fausto Mas, por exemplo, virou ponto de encontro e memória — um espaço onde a essência do treinador se mantém viva. Foi ali, entre conversas e pratos típicos, que ele manteve os pés no chão mesmo com a fama.
Franck Silvestro, seu primeiro treinador na União Esportiva Regiolo, relembra que Ancelotti não era o mais habilidoso, mas se destacava pela serenidade e inteligência tática. Já no Reggiana, deu os primeiros passos como técnico, conquistando o acesso à elite italiana com uma liderança natural e silenciosa.
Na sequência, assumiu o Parma em um momento decisivo. A equipe era repleta de jovens talentos como Buffon, Cannavaro, Crespo e Inzaghi, impulsionada pelos investimentos da Parmalat. Foi nesse ambiente competitivo que surgiram os primeiros traços do treinador que depois encantaria o mundo com seu estilo no Milan, Chelsea, PSG, Bayern e Real Madrid.
Agora, depois de 15 títulos conquistados no comando do time merengue em duas passagens, Ancelotti inicia um novo capítulo: liderar a Seleção Brasileira rumo ao hexa. Após um jejum de 24 anos sem conquistas em Copas do Mundo, o desafio é enorme. Mas quem conhece suas raízes sabe: a força do técnico está justamente em onde tudo começou.
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