A morte de Ayrton Senna completou 31 anos no último dia 1º de Maio, mas as lembranças daquele adeus seguem vivas na memória do país. Em uma das cenas mais emocionantes da história do esporte brasileiro, milhões de pessoas tomaram as ruas de São Paulo para acompanhar o cortejo que levou o corpo do tricampeão mundial da Fórmula 1 da base aérea até a Assembleia Legislativa e, depois, ao Cemitério do Morumbi.
Responsável por conduzir a viatura dos bombeiros naquele 4 de maio de 1994, o coronel Paulo de Freitas revelou o impacto da multidão:
"Era muita gente. Então eu me coloquei no lugar dessas pessoas. Imagina: acordam de madrugada, vêm pra cá e a viatura passa a 20 por hora… Falei pro motorista: ‘vamos a 5 por hora’. O comandante vai entender."
A comoção era tamanha que até quem conduzia o carro não conteve as lágrimas.
"Todo mundo estava chorando. Criança, velhos, adultos, homens, mulheres… Meu motorista chorava. Eu chorava. Não deu pra aguentar."
No trajeto, homenagens improváveis tocaram os que estavam presentes.
"Tinha um rapaz com um piano na calçada, na Avenida Brasil. E ele tocava a música do Ayrton Senna. Só tocava. Isso emocionou muito."
Um dos momentos mais marcantes foi a aparição de uma pomba branca.
"Pousou uma pomba branca no highlight da viatura. Branquinha, linda, mansinha. Ela ficou ali até a esquina da Brasil com Rebouças. Só voou porque fizeram uma queima de fogos."
As pessoas também atiraram cartas ao ídolo durante o trajeto. Em uma delas, a mensagem:
"Senna, nós nunca te esqueceremos. Para nós, o Brasil inteiro, você não morreu."
Três décadas depois, o vazio deixado por Ayrton Senna permanece, mas seu legado segue guiando gerações.
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