Fotografar com os olhos fechados para enxergar com o coração. Essa é a definição do trabalho de João Batista Maia da Silva, mais conhecido como João Maia. Nascido em Bom Jesus, no interior do Piauí, o fotógrafo perdeu a visão aos 28 anos, após um deslocamento de retina no olho direito e uma inflamação aguda no esquerdo. Restou-lhe apenas a percepção de luzes e vultos, mas foi a partir dessa limitação que ele encontrou sua verdadeira missão: mostrar ao mundo que é possível enxergar com a alma.
João fez história ao se tornar o primeiro fotógrafo cego brasileiro a cobrir os Jogos Paralímpicos. Deu seus primeiros cliques na Rio 2016, passou por Tóquio 2020 e chegou a Paris 2024 registrando momentos que vão muito além da imagem. “A gente também pode ver com a alma, pode ver com o coração”, disse ele durante a reportagem do Band Esporte Clube. Para João, cada disparo da câmera carrega não só técnica, mas o palpitar do seu próprio coração.
Um ex-atleta atrás das lentes
Mais do que fotógrafo, João também já foi atleta. Praticou natação, corrida e chegou a competir no arremesso de peso e lançamento de dardo, experiências que ampliaram seu entendimento sobre os atletas que fotografa. Essa vivência, somada ao estudo minucioso das modalidades e à aproximação com os esportistas, reflete-se nas imagens que produz. “Nunca aponto a câmera sem antes conversar com quem vou fotografar. É preciso criar intimidade para captar a verdadeira emoção”, explica.
Atualmente, João exibe seu trabalho na exposição “O que não se vê, que se sente”, em cartaz na Unibes Cultural, em São Paulo, até o dia 21 de setembro. A mostra é um convite para enxergar o mundo com outros sentidos: tem audiodescrição, intérpretes de Libras e recursos táteis, proporcionando uma experiência inclusiva para todos os visitantes.
Inspirador e pioneiro, João Maia prova que a fotografia vai muito além da visão. É sentimento, é conexão, é o registro do que as palavras não conseguem traduzir. E, como ele mesmo diz, “é possível fotografar com o coração”.

