Tudo começou com um telefonema e uma fita de áudio que revelou o que viria a se tornar um dos maiores escândalos do futebol nacional. Em 2005, o Brasil foi sacudido pela revelação de um esquema de corrupção envolvendo árbitros da FIFA, empresários e manipulação de resultados. O caso ficou conhecido como Máfia do Apito.
As investigações do Ministério Público mostraram que Edílson Pereira de Carvalho, árbitro da FIFA, confessou ter aceitado suborno de R$ 10 mil por partida para manipular resultados. Outros nomes como o árbitro Paulo José Danelon e os empresários Najib Fayad e Vanderlei Pololio também foram apontados como peças-chave do esquema. Em uma das conversas grampeadas, Edílson garantiu que “sairia escoltado, mas entregaria o combinado”.
Jogos anulados e campeonato reescrito
Pelo menos 11 jogos do Campeonato Brasileiro de 2005 foram anulados pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), incluindo clássicos como São Paulo 3x2 Corinthians, que teve que ser jogado novamente, terminando empatado por 1 a 1. O Santos, que havia vencido o Corinthians por 4 a 2, acabou perdendo no jogo remarcado por 3 a 2. Com a repetição das partidas, o Corinthians recuperou pontos importantes e terminou campeão daquele ano, três pontos à frente do Internacional — título que até hoje gera debates.
Apesar da gravidade, a Justiça Comum não condenou criminalmente os envolvidos. O processo contra Edílson, Danelon e Najib foi suspenso em 2007 e julgado improcedente em 2009, por uma questão técnica de tipificação criminal.
Um alerta para o presente
A maior preocupação agora é com o presente. O avanço das apostas esportivas online e o aumento de dinheiro em circulação no futebol reacendem o alerta. Na época do escândalo, o envolvimento com bets era restrito e quase clandestino. Hoje, a explosão dessas plataformas pode tornar o risco de novos esquemas ainda maior e mais pulverizado.
A pergunta que fica é: aprendemos algo com aquele episódio? Ou o futebol brasileiro continuará vulnerável a novas máfias e escândalos? A resposta depende de fiscalização, prevenção e coragem para agir diante do perigo que ronda o esporte mais amado do país.
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