Nunca se falou tanto sobre saúde mental. E o assunto, que já ganhou espaço entre atletas, agora começa a alcançar os treinadores. Responsáveis diretos por vitórias e derrotas, técnicos convivem com pressão diária, jornadas exaustivas e contratos curtos. A consequência aparece no corpo, na mente e nos bastidores do futebol.
Pesquisas mostram que a saúde psicológica dos treinadores ainda é pouco acompanhada. Em um estudo realizado na Suécia, 90% dos técnicos avaliados apresentaram algum grau de ansiedade, 28% foram diagnosticados com depressão e 14% relataram problemas com álcool. No Brasil, a realidade não é diferente. Mesmo com a exposição constante, muitos ainda sofrem em silêncio.
Casos recentes escancararam esse cenário. Tite recusou uma proposta para retornar ao Corinthians após sofrer uma crise de ansiedade. Muricy Ramalho precisou se afastar definitivamente da beira do campo em 2016, por conta de problemas cardíacos agravados pelo estresse. Enderson Moreira, há dois anos, chegou a dizer que em certos momentos gostaria de desaparecer do mundo.
Na maioria dos clubes, o apoio emocional não está dentro da comissão técnica. Muitos profissionais buscam amparo em familiares, amigos ou cônjuges. Poucos têm contato com psicólogos esportivos ou especialistas. O peso da cobrança, as trocas constantes e a lógica imediatista fazem parte de uma cultura enraizada no futebol que segue exigindo vitórias a qualquer custo
Enquanto a saúde mental segue sendo tratada como tabu, o futebol continua consumindo seus treinadores por dentro. A mudança exige coragem, escuta e estrutura. Porque quem ensina também precisa de cuidado.
Veja a entrevista de Lisca “Doido" na íntegra:
Cadastre-se gratuitamente
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione as newsletter que deseja receber

