Esporte na Band

Caos na Série B: Vila x Operário-PR tem agressões e denúncia de racismo

Atacante Hildeberto Pereira acusa torcedor do Tigre de racismo; presidentes foram atingidos por objetos durante confusão generalizada na Série B.

Da redação
DA REDAÇÃO

19/04/2026 • 12:26 • Atualizado em 19/04/2026 • 12:26

Berto, atacante do Operário, acusa torcedor do Vila Nova de injúria racial

Berto, atacante do Operário, acusa torcedor do Vila Nova de injúria racial

Heber Gomes/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Resumo

O jogo entre Vila Nova e Operário-PR pela 5ª rodada da Série B terminou em vitória do time goiano por 2 a 1, seguido por agressões envolvendo jogadores, dirigentes e torcedores, além da denúncia de injúria racial feita pelo atacante Hildeberto Pereira, do Operário, que afirmou ter sido chamado de "macaco" por um torcedor do Vila Nova.

A identificação do suspeito de racismo ocorreu por meio do sistema de reconhecimento facial do estádio, com o torcedor encaminhado às autoridades e registro de Boletim de Ocorrência pelas Polícias Militar e Civil, enquanto a briga generalizada envolveu arremesso de garrafas, deixando o ex-presidente do Vila Nova e o presidente do Operário feridos, e sendo controlada pela Polícia Militar.

As notas oficiais dos clubes manifestaram repúdio ao racismo e à violência, relataram apoio aos envolvidos, destacaram a colaboração entre as diretorias e reforçaram o compromisso de apuração dos fatos, responsabilização dos autores e defesa de um futebol mais justo e seguro.

O jogo entre Vila Nova e Operário-PR terminou em agressão e denúncia de racismo, pela 5ª rodada Série B do Brasileiro. Logo após o apito final da partida, que terminou com a vitória do time goiano por 2 a 1, cenas lamentáveis tomaram conta do estádio, envolvendo jogadores, dirigentes e torcedores. Além do conflito físico, o atacante Hildeberto Pereira, do Operário, relatou ter sido vítima de injúria racial vinda da arquibancada.

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Identificação do suspeito de racismo pelo Vila Nova

Durante o tumulto, o jogador Hildeberto Pereira, natural de Cabo Verde, afirmou ter sido chamado de "macaco" por um torcedor do Vila Nova, que também teria feito gestos discriminatórios. O atleta foi levado pela Polícia Militar para prestar depoimento.

Em resposta, o Vila Nova informou que utilizou o sistema de reconhecimento facial do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga para identificar o suspeito. O torcedor foi encaminhado às autoridades competentes e o Boletim de Ocorrência foi registrado junto às Polícias Militar e Civil.

Detalhes da briga generalizada no gramado

A confusão começou perto do banco de reservas e escalou rapidamente com o arremesso de objetos. O zagueiro Jhan Torres, do Operário, arremessou uma garrafa que atingiu o ex-presidente do Vila Nova, Geso de Oliveira. Na sequência, a torcida colorada reagiu e uma garrafa atingiu o rosto do presidente do Operário, Álvaro Góes, que caiu no gramado.

O Vila Nova alega que a conduta inicial partiu de um atleta do Operário, que atingiu a boca de um torcedor com uma garrafa de isotônico, causando uma lesão que exigiu quatro pontos e atendimento médico. Jogadores do time paranaense também lançaram copos de água contra as arquibancadas. A briga só foi controlada com a chegada da Polícia Militar.

Nota oficial do Vila Nova

"O Vila Nova Futebol Clube repudia qualquer forma de discriminação, como a relatada pelo atleta Berto, do Operário Ferroviário, após a partida de ontem pelo Campeonato Brasileiro B, bem como atos de violência.

Esta instituição, em toda a sua história, combateu qualquer forma de ato discriminatório e, no caso específico da racial, sempre realizou campanhas ativas de prevenção, seja nas camisas dos atletas e nos estádios, no alambrado, de forma sonora, telões e nas campanhas sociais.

A denúncia de injúria racial feita pelo atleta Berto ao término da partida gerou ação imediata do clube, que acionou prontamente o policiamento do estádio. Por meio do sistema interno de segurança e reconhecimento facial do clube, identificamos o suspeito, e prontamente informado às autoridades competentes para a adoção das providências legais. O respectivo Boletim de Ocorrência foi devidamente registrado junto às Polícias Militar e Civil acompanhado pelo representante do clube.

Quanto ao arremesso de objetos, injustificáveis e repudiados por este clube, é importante deixar claro que a conduta inicial partiu do atleta do Operário, que lançou uma garrafa de isotônico parcialmente cheia e atingiu a boca de um torcedor. De imediato, como forma de reação instintiva, esse mesmo torcedor devolveu o lançamento do objeto, que atingiu o Presidente do Operário. O torcedor do Vila Nova teve lesão corporal em sua boca, necessitou de quatro pontos e atendimento médico na ambulância do estádio. Após atendimento médico, foi encaminhado para autoridade policial competente.

O Vila Nova não medirá esforços para a completa apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a integridade do esporte. Ressaltamos que, em sendo comprovada a injúria racial após o trâmite do devido processo legal, é imperativa a aplicação das sanções cabíveis aos responsáveis. Como já demonstrado em outras ocasiões, o clube atua com responsabilidade e transparência, tendo sido protagonista em ações relevantes para o futebol brasileiro, como na denúncia que originou a Operação Penalidade Máxima.

Seguimos firmes na defesa de um futebol mais justo, respeitoso e seguro para todos."

Nota oficial do Operário Ferroviário

"O Operário Ferroviário repudia com absoluta veemência os atos de cunho racista sofridos por seus atletas após a partida deste sábado, em Goiânia, diante do Vila Nova.

As imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. Um dos envolvidos já foi identificado e autuado em flagrante. O clube prestou imediato apoio aos jogadores e acompanhará o caso até as últimas instâncias, buscando a completa responsabilização dos envolvidos.

O Operário ressalta que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores. Agradecemos à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos nossos atletas e ao Presidente do Grupo Gestor.

No que se refere aos acontecimentos posteriores, o Operário destaca que o ambiente foi marcado por elevada tensão decorrente da gravidade do ocorrido, circunstância que deverá ser considerada na devida análise.

Reafirmamos que o racismo é abominável e inaceitável. O combate a essa prática exige a união de toda a sociedade. Seguiremos firmes, de forma intransigente, no combate ao racismo e na defesa incondicional de nossos profissionais."