Esporte na Band

Conselho do São Paulo debate denúncia contra filha de presidente

Órgão opinativo discute possível irregularidade na venda de ingressos no Morumbi e decide reformular política de cortesia

Da redação
DA REDAÇÃO

20/02/2026 • 17:31 • Atualizado em 20/02/2026 • 17:31

Resumo

O Conselho Consultivo do São Paulo realizou reunião extraordinária nesta sexta-feira (20) para discutir possível envolvimento de Christina Massis na venda irregular de ingressos no Morumbi.

O órgão, formado por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo, tem caráter opinativo e não pode afastar dirigentes, embora haja movimento político pedindo a renúncia de Harry Massis.

Em entrevista ao UOL, o presidente afirmou que defende apuração pela comissão de ética e disse que a filha, maior de idade, deve responder individualmente por seus atos.

O Conselho Consultivo do São Paulo Futebol Clube realizou nesta sexta-feira (20) uma reunião extraordinária, em um escritório na Zona Oeste da capital paulista, para discutir um possível envolvimento de Christina Massis, filha do presidente Harry Massis, em uma denúncia de venda irregular de ingressos de cortesia para shows no Morumbi. O encontro contou com a presença do mandatário e ocorreu em meio a movimentações políticas internas.

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O caso envolve suposta revenda de entradas para o show de Bruno Mars, realizado em outubro de 2024. Christina nega qualquer irregularidade e sustenta que é alvo de uma tentativa de atingir a atual gestão. Uma gravação atribuída a ela foi apresentada ao colegiado. No áudio, ela afirma que não vendeu ingressos, diz que recebeu um valor, mas que o repassou a uma pessoa a quem ajuda.

O material teria chegado de forma anônima ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres Jr., antes de ser levado ao Conselho Consultivo. O órgão é composto por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo e tem caráter opinativo, sem poder para afastar dirigentes.

Movimento interno e cenário político

Durante a reunião, uma ala defendeu a renúncia de Harry Massis, mas a proposta não avançou. O presidente reiterou que não pretende deixar o cargo.

Pelo estatuto do clube, em caso de eventual renúncia, o presidente do Conselho Deliberativo assumiria interinamente por até 30 dias e seria obrigado a convocar nova eleição para completar o mandato até o fim do ano.

O Conselho Consultivo é formado por 11 integrantes, entre eles Julio Casares, além de ex-dirigentes como Carlos Miguel Aidar, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e Ives Gandra.

Protesto em frente ao local da reunião

Cerca de 15 torcedores estiveram na entrada do prédio onde ocorreu o encontro e exibiram faixas em apoio a Harry Massis. A principal mensagem dizia “não vai ter golpe”. Houve também gritos de ordem durante a chegada e saída de conselheiros.

Torcedores protestam durante reunião do Conselho Consultivo I Foto: Band/Thiago Fagnani

Torcedores protestam durante reunião do Conselho Consultivo I Foto: Band/Thiago Fagnani

Segundo relatos, houve cobranças direcionadas a Olten Ayres Jr. e a ex-presidentes presentes no local. Não houve registro de incidentes.

Reformulação na política de ingressos

Além da apuração da denúncia, o Conselho decidiu reformular o regime de distribuição de ingressos de cortesia, com redução significativa do número de entradas disponibilizadas.

O caso será investigado por duas sindicâncias, uma externa e outra interna. Caso sejam constatadas irregularidades, as situações serão encaminhadas à Comissão de Ética do clube.

Presidente defende apuração

Em entrevista ao UOL, que revelou a reunião, Harry Massis afirmou que soube do caso por meio da própria filha e defendeu investigação interna.

“Há mais ou menos uma semana, recebi com surpresa e indignação o relato da minha filha Christina sobre a revenda de ingressos de show. Não compactuo com a lamentável atitude dela e defendo que a comissão de ética do clube aprofunde as apurações sobre o caso. Não tenho compromisso com erro ou malfeito de nenhuma ordem. Pouco importa se a pessoa em questão tem meu sangue ou não. A Christina é maior de idade, tem seu próprio CPF e deve responder pelos seus atos. Durante minha gestão, minha maior missão é ter tolerância zero com qualquer atitude eticamente reprovável. Isso vale para todos, até para minha filha”, declarou.

Nota oficial

"O Conselho Consultivo do SPFC reuniu-se para discutir e deliberar sobre a criação de um novo regime na distribuição de ingressos de cortesia, com significativa redução, bem como para apurar eventuais distribuições incorretas. Caso sejam constatadas irregularidades após as apurações, precedidas de duas sindicâncias, uma externa e outra interna, as situações serão encaminhadas à Comissão de Ética."