
John Textor, dono da SAF do Botafogo
Vitor Silva / Botafogo
Resumo
Decisão do Tribunal Arbitral da FGV encaminhou para o STJ o julgamento do conflito entre Botafogo associativo e Eagle Bidco pelo controle da SAF, suspendendo decisões imediatas e abrindo nova etapa judicial sobre o futuro do clube.
Retomada dos poderes políticos da Eagle Bidco na SAF, detentora de 90% das ações, reverteu o congelamento imposto pela Justiça do Rio, devolvendo à administradora Cork Gully a possibilidade de negociar e vender ações, enquanto o Botafogo associativo, com 10%, perde autonomia para buscar investidores.
Reconhecimento da irregularidade na nomeação de Durcesio Mello como gestor interino e afastamento de John Textor resultaram em instabilidade na gestão, agravando a crise financeira do clube, que perdeu acesso a receita judicial importante e acumula o terceiro transfer ban da Fifa por dívidas.
O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) determinou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analise o imbróglio jurídico envolvendo o Botafogo associativo e a Eagle Bidco pelo controle da SAF. A medida leva o caso para uma nova frente judicial e suspende definições imediatas sobre os rumos da companhia.
Retomada de poderes e venda de ações
A arbitragem decidiu devolver os poderes políticos da Eagle Bidco na SAF do Botafogo. A empresa, que detém 90% das ações, estava com sua participação congelada desde o fim de abril por determinação da Justiça do Rio de Janeiro.
Com essa mudança, a administradora Cork Gully volta a ter permissão para negociar e vender as ações da companhia. Anteriormente, o clube associativo, dono de 10% da SAF, possuía autonomia para buscar novos investidores, tendo a credora americana GDA Luma como favorita.
Mudanças na gestão e impacto financeiro
A decisão arbitral também considerou irregular a permanência de Durcesio Mello como gestor interino da SAF. O ex-presidente havia sido nomeado pelo associativo após o afastamento de John Textor e teve o nome ratificado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
A reviravolta pode prejudicar a recuperação judicial do Botafogo. O clube contava com R$ 122,3 milhões de uma ação ganha contra o Lyon na 17ª Vara Cível do RJ, mas o novo cenário traz o risco de a dívida não ser mais reconhecida.
Entenda o conflito na Eagle Bidco
O controle da Eagle Bidco foi assumido pela financiadora Ares, que rompeu com John Textor por descumprimento de cláusulas de liquidez e endividamento. Embora Textor continue afastado, a Eagle recupera o direito de representação na Assembleia Geral Extraordinária de 14 de maio.
Enquanto a batalha jurídica prossegue, o Botafogo enfrenta graves dificuldades financeiras. O clube acumulou, nesta segunda-feira, o seu terceiro transfer ban aplicado pela Fifa, o que impede a inscrição de novos atletas.
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