Esporte na Band

Curling: O "xadrez no gelo" e a ciência por trás da precisão

Uma análise técnica sobre a origem escocesa, a física da varrição e o complexo sistema tático de uma das modalidades mais estratégicas dos esportes de inverno

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 16:49 • Atualizado em 29/01/2026 • 16:49

Um competidor da Escócia em disputa contra a Suíça durante o Campeonato Mundial Masculino de Curling, no Canadá

Um competidor da Escócia em disputa contra a Suíça durante o Campeonato Mundial Masculino de Curling, no Canadá

Todd Korol/Reuters

O curling é um esporte coletivo praticado em uma pista de gelo retangular, onde duas equipes deslizam pedras de granito em direção a um alvo de quatro anéis concêntricos.

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Frequentemente descrito como "xadrez no gelo", o esporte exige um equilíbrio raro entre precisão física e estratégia de alto nível. O objetivo central é posicionar as pedras o mais próximo possível do centro do alvo, chamado de "casa" ou house, enquanto se protege posições ou retira as peças do adversário.

Raízes escocesas e a jornada até o Olimpo

A gênese da modalidade remonta à Escócia do final da Idade Média. Evidências como as "Stirling Stones" — pedras datadas do início do século XVI — e pinturas de Pieter Bruegel, o Velho, mostram que a atividade era popular sobre lagos congelados na Europa do Norte. A formalização ocorreu no século XIX, com o Grand Caledonian Curling Club padronizando regras e condutas. Após estrear em Chamonix (1924) e passar décadas como exibição, o curling foi reintegrado definitivamente ao programa olímpico em Nagano (1998).

A técnica do gelo e o funcionamento das partidas

Uma partida é dividida em ends (semelhantes a sets), geralmente dez em competições de elite. Em cada um deles, as equipes lançam oito pedras de forma alternada. A pista, ou sheet, possui uma característica vital: a superfície recebe uma pulverização de gotículas de água que congelam e criam uma textura granulada, o pebble. É essa textura que permite que a pedra execute uma trajetória curva (o curl) conforme desliza.

A física da varrição: mais que uma limpeza

A característica visual mais marcante do esporte é a varrição vigorosa à frente da pedra. Esse ato tem uma explicação física clara: o atrito da vassoura gera calor momentâneo, derretendo superficialmente o pebble e criando uma película microscópica de água. Essa lubrificação permite que a pedra percorra até três metros adicionais e ajuda a retificar a trajetória, reduzindo a curvatura natural e mantendo a linha desejada pelo lançador.

Pontuação e a vantagem do "Hammer"

O sistema de pontuação é o que define a complexidade tática do jogo. Apenas uma equipe pontua por end, recebendo pontos para cada pedra que estiver mais próxima do centro do que a melhor pedra do adversário. Pedras fora da casa não contam. A última jogada de cada end, conhecida como hammer, é uma vantagem tática imensa, pois permite alterar o placar final ou anular a pontuação adversária no último segundo.

Potências globais e o espírito do esporte

O cenário internacional é liderado pelo Canadá, a maior potência histórica, seguido por nações como Suécia, Suíça, Noruega e a Escócia (que compete como Grã-Bretanha nas Olimpíadas). Além dos Jogos Olímpicos, torneios como o Campeonato Mundial e os nacionais canadenses (Brier e Scotties) representam o ápice técnico da modalidade.

O esporte também preserva tradições únicas, como o uso de pedras feitas de granito extraído exclusivamente da ilha escocesa de Ailsa Craig. Além disso, o curling é regido pelo "Spirit of Curling", um código de honra onde os próprios atletas declaram suas faltas. Essa combinação de habilidade atlética, integridade e profundidade cognitiva consolida sua posição como uma das modalidades mais fascinantes do gelo.

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