
Laura Louzada
Divulgação Botafogo-SP
Quando falamos da presença de mulheres no esporte, normalmente só as atletas são lembradas. Nos cargos de gestão e execução, existem poucos exemplos conhecidos. Mas a participação feminina nessa função é muito maior do que parece. As mulheres estão ajudando a transformar um setor historicamente dominado por homens.
O Dia Internacional da Mulher (8 de março) é um ótimo momento para conhecer executivas e gestoras que atuam nos bastidores do futebol. São mulheres que participaram de diversas áreas, como marketing, inovação, tecnologia, social e mais. E mostram que a presença feminina tem sido fundamental para impulsionar mudanças.
Tamarisa Lopes, Diretora Feminina e de Inclusão do SC Internacional

O Internacional quer ampliar o papel social do futebol. À frente da Diretoria Feminina e de Inclusão, Tamarisa Lopes tem liderado iniciativas que conectam o clube a pautas urgentes da sociedade, como o combate à violência contra a mulher e a promoção da igualdade de gênero. Entre as ações de maior repercussão estão a campanha “Feminicídio Zero”, com a instalação do Banco Vermelho no Beira-Rio, encontros ligados ao movimento HeForShe.
“Quando falamos do Internacional, falamos de uma instituição centenária com enorme capacidade de mobilização social. O futebol é uma ferramenta poderosa de transformação, e precisamos utilizá-lo para promover respeito, igualdade e conscientização. O combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Cada campanha, cada evento e cada espaço criado é um passo para tornar o clube e a sociedade mais justos. Nosso compromisso é seguir ampliando vozes, construindo oportunidades e mostrando que o futebol é, e deve ser, para todos", diz Tamarisa.
Thais Picarte, coordenadora do futebol feminino do Santos FC

No Santos, Thais Picarte está a frente de um projeto de reconstrução do futebol feminino. Com foco em planejamento esportivo, fortalecimento da base e integração com a filosofia do clube, a equipe está de volta à primeira divisão e projeta uma campanha competitiva em um campeonato cada vez mais equilibrado.
“Quando eu era atleta, quase não víamos mulheres ocupando posições de liderança no futebol, então faltavam referências de caminhos possíveis depois da carreira dentro de campo. Hoje vivemos um momento de mudança e é muito importante que as ex-atletas se preparem para ocupar esses espaços. Quem viveu o futebol por dentro traz uma visão valiosa para a gestão e pode contribuir diretamente para o desenvolvimento do esporte”, analisa.
Laura Louzada, Gerente de Marketing do Botafogo-SP
Em Ribeirão Preto, o Botafogo-SP fortalece a conexão com a torcida com o trabalho de Laura Louzada. À frente da Gerência de Marketing do clube há 10 anos, ela lidera estratégias de posicionamento de marca, campanhas institucionais e ações digitais que acompanham um cenário de transformação interna: hoje, quase 50% do quadro de colaboradores é composto por mulheres, número que ultrapassa 70% no setor administrativo. Entre as torcedoras, a participação também cresce, representando cerca de 15% no programa de sócio-torcedor e chegando a 30% de engajamento nas redes sociais do clube.
“A presença feminina no futebol é cada vez mais consistente e natural. Ainda temos muito espaço para crescer, mas é importante reconhecer essa evolução no mercado do futebol, dentro do clube e também entre as nossas torcedoras, que participam, consomem e se identificam com o Botafogo-SP”, destaca Laura.
Renata Armiliato, coordenadora do departamento de futebol feminino do Juventude
Atualmente, dos 14 departamentos do Juventude, sete são liderados por mulheres. Além disso, o quadro diretivo conta com presença feminina, com destaque para Lizandra Chinali, diretora de marketing, e Renata Armiliato, coordenadora do departamento de futebol feminino do clube.
À frente do departamento de futebol feminino, Renata Armiliato destaca que a presença de mulheres em cargos de decisão transforma a cultura do ambiente esportivo: “Estar em uma posição de liderança no futebol é, antes de tudo, um ato de construção. Construção de respeito, de espaço e de referências. Quando ocupamos esses lugares, mostramos que competência não tem gênero. O futebol precisa de gestão qualificada, sensível e estratégica, e as mulheres estão absolutamente preparadas para isso”.
Bruna Vasconcelos, Nutricionista do Fortaleza
No Nordeste, o Fortaleza também conta com mulheres de destaque em cargos de liderança, a exemplo da nutricionista do futebol profissional, Bruna Vasconcelos, e da diretora jurídica, Fabíola Guedes. Para Bruna, o espaço conquistado pelas mulheres na indústria é significativo, mas ainda há muito a evoluir. No Fortaleza, ela gerencia o departamento de nutrição, com foco em utilizar a área como ferramenta importante para saúde e performance no futebol de alto nível.
“O futebol ainda é um ambiente historicamente masculino, então um dos principais desafios é justamente abrir cada vez mais espaços para que mulheres, seja no Fortaleza ou em qualquer outro clube, possam mostrar sua competência e contribuir com diferentes áreas. Estamos em um momento de crescimento. Ainda há muito espaço para crescer, mas a presença feminina tem aumentado e, principalmente na rotina dos atletas do futebol masculino, já é vista de forma natural. Toda profissional que atua no futebol ajuda a fortalecer essa representatividade de alguma maneira, independente da área”, destaca.
“Tenho a oportunidade de trabalhar com uma equipe multidisciplinar de nível elevado e diretamente com os atletas. Procuro fazer meu trabalho com muita responsabilidade, pensando sempre em saúde, performance e bem-estar que o alto nível de competitividade exige. Se, de alguma maneira, isso também inspira outras mulheres a buscarem espaço no esporte, fico muito feliz. É sempre importante mostrar que há espaço para profissionais qualificados”, finaliza.
Camila Estefano, gerente geral do Projeto Estrelas
Voltado para o desenvolvimento das categorias de base do futebol feminino, o Projeto Estrelas trabalha na formação de novas atletas e na ampliação de oportunidades para meninas no esporte. Sob a gestão de Camila, a iniciativa reúne cerca de 120 participantes e oferece treinamentos diários, com foco não apenas no desempenho dentro de campo, mas também no desenvolvimento pessoal e social das jovens. A proposta é criar um ambiente de formação que incentive disciplina, confiança e perspectiva de futuro para meninas que sonham em seguir carreira no futebol ou encontrar no esporte um caminho de crescimento.
“Investir na base do futebol feminino é apoiar transformação. O Projeto Estrelas nasceu com a ideia de oferecer oportunidades para meninas que muitas vezes não têm acesso ao esporte de forma estruturada. Hoje acompanhamos de perto o desenvolvimento dessas jovens, não apenas como atletas, mas como cidadãs. O futebol ensina valores como trabalho em equipe, respeito e perseverança, e acreditamos que essas experiências podem impactar positivamente toda uma geração. Nosso objetivo é continuar ampliando esse espaço", diz Camila.
Vanessa Pires é CEO e fundadora da Brada
A Brada conecta projetos sociais, como os do futebol, com patrocinadores, marcas e pessoas com o objetivo de transformar realidades por meio da comunicação e da inovação social. O trabalho é voltado para o direcionamento da companhia e fortalecimento da educação por meio de Incentivo Fiscal. A Brada participa com uma abordagem colaborativa e foco em resultados mensuráveis para impulsionar iniciativas que promovem inclusão, diversidade, sustentabilidade e cidadania, gerando valor compartilhado e fortalecendo o engajamento com as principais pautas da sociedade.
"Ocupar um cargo de liderança no mundo esportivo é, ao mesmo tempo, um desafio e um compromisso com a mudança. Em um ambiente historicamente masculino, a presença de mulheres em posições estratégicas é o que traz o olhar necessário para pautas de diversidade e inclusão de impacto real. Na Brada, usamos o fomento e as leis de incentivo como ferramentas de transformação, e acredito que essa engrenagem só se torna plenamente sustentável quando vozes femininas ajudam a ditar o ritmo. Quanto mais ocupamos esses espaços, aumentamos a possibilidade de quebrarmos barreiras e mostrarmos que a liderança feminina é o motor para um esporte mais humano e democrático".
Thaiany Klarmann diretora de marketing CUJU
Na avaliação da especialista, a tecnologia tem desempenhado um papel importante na ampliação do acesso e na quebra de barreiras históricas dentro do futebol, especialmente em áreas que antes dependiam fortemente de redes de contato tradicionais. Para ela, as ferramentas digitais ajudam a tornar o ambiente mais aberto e permitem que mais pessoas participem de diferentes funções no esporte.
"A partir do momento em que a gente democratiza esse acesso, também democratiza quem pode oferecê-lo. Antigamente, isso era muito dominado por uma rede de contatos masculina, historicamente construída por homens. A tecnologia diminui a dependência dessas estruturas tradicionais e hierárquicas do futebol. Hoje é possível trabalhar remotamente com análise de desempenho, produção de relatórios e gestão de comunidades digitais, tudo baseado em tecnologia, atividades que podem ser feitas por qualquer pessoa justamente porque a tecnologia está à frente".
Mila Rabelo, CLO da Paag
Na Paag, techfin que atua como meio de pagamentos e que fornece soluções tecnológicas para o mercado de apostas esportivas, a presença de mulheres é destaque, com elas representando atualmente 37% do quadro de colaboradores da Paag. No corpo diretivo, essa proporção é ainda mais significativa: 40% da liderança é composta por mulheres. Entre as principais vozes femininas na empresa, destaca-se a CLO Mila Rabelo. Na Paag, ela foi a responsável por estruturar áreas estratégicas da companhia com uma visão integrada de governança, ao liderar simultaneamente as frentes de jurídico, riscos, compliance, pessoas e estratégia.
Segundo Rabelo, ainda há muitas oportunidades a serem exploradas pelas mulheres na indústria. “iGaming é uma indústria relativamente nova no Brasil e em processo acelerado de institucionalização. Nesse contexto, muitas mulheres ainda enfrentam o desafio de afirmar autoridade técnica em ambientes tradicionalmente masculinos, mesmo quando possuem alta qualificação. Por outro lado, acredito que esse momento de estruturação do mercado também abre uma oportunidade importante: mulheres têm contribuído de forma muito relevante nas áreas de compliance, governança, gestão de riscos e estratégia, que são justamente pilares fundamentais para a consolidação de um setor regulado e sustentável”, destaca.
Beatriz Gimenez Costa, Head de Compliance do projeto Daniel Fortune
Ainda no universo das apostas esportivas, Beatriz Gimenez Costa, destaca-se como Head de Compliance no projeto Daniel Fortune, voltado para a conscientização do público apostador quando às falsas promessas no setor esclarecimentos quanto às remotas chances de ganho e o fornecimento de dicas para evitar a compulsividade nas apostas.
Com relação à presença feminina na indústria, Beatriz também identifica avanços nos últimos anos, mas destaca a necessidade de que o panorama siga evoluindo. “Vejo que o espaço para as mulheres na indústria é algo que ainda precisa melhorar, pois ainda se trata de um ambiente muito masculino. É muito importante que vozes femininas preencham esses espaços, pois há muitas mulheres competentes e que merecem cada vez mais estar nessas posições”, finaliza.
Tagiane Gomide e Juliana Gavineli (Ana Gaming)
A Ana Gaming, que é um dos grupos mais consolidados no setor de apostas esportivas do Brasil e holding das casas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, conta com importantes lideranças femininas na companhia, como Tagiane Gomide, Diretora Jurídica e Integridade, e Juliana Gavinel, Chief Financial Officer (CFO). As profissionais são algumas das poucas mulheres a ocuparem cargos executivos dentro de empresas deste porte no segmento de betting.
"A participação feminina tem aumentado de maneira relevante em diversas áreas ligadas ao esporte. É importante que esse movimento ocorra ainda mais dentro do segmento de betting", afirma Tagiane Gomide.
Além disso, Juliana Gavineli conta que "a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são prioridades dentro da Ana Gaming. Valorizar, reconhecer, respeitar e premiar as conquistas femininas são questões que entendemos como um dever".
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