
Dia do fisiculturismo: como é a vida real de quem sonha em brilhar no esporte
Gabriel Gregorio
Sucesso no Brasil, o fisiculturismo tem conquistado cada vez mais admiradores da modalidade. E entre “Ramons Dino” e “Panteras”, existem aqueles que vivem pelo sonho de um dia ser campeão do Mr. Olympia, maior competição de fisiculturismo do mundo.
Entre esses dois universos está Gabriel Gregorio, 34 anos, morador do Grajaú, extremo sul de São Paulo. Competidor, ele se divide entre o desejo de alcançar o ponto mais alto da categoria e sua vida cotidiana na maior cidade da América Latina.
Praticante assíduo da musculação, ele iniciou sua trajetória na vida fitness aos 24 anos e hoje trabalha como personal trainer, enquanto mantém a busca inefável pelo corpo ideal para as competições que consegue participar.
Embora já tenha três prêmios para chamar de seu, a trajetória dele até 2025 passou por verdadeiras provas de resistência. Conheça o outro lado de quem ainda tenta a fama como fisiculturista, no dia que a modalidade é celebrada no Brasil.
Do vídeo no YouTube ao profissional
Em 2015, Gabriel começou a fazer musculação, mas foi em 2020 que os primeiros passos para competir começaram a ser dados. Depois de assistir a um vídeo na internet, o atleta fez a famosa comparação entre o corpo dele com o de um atleta e cogitou a possibilidade de pegar mais firme nos treinos.
“Eu falei: ‘Poxa, velho, se um cara com esse corpo, conseguiu? Eu acho que com o corpo que eu tenho, consigo também’. Aí conversei com um coach que tinha lá na academia e fizemos o trabalho certinho”, contou.
A partir daí, iniciaram os trabalhos para a construção do shape perfeito e com o caminho pavimentado, ele se inscreveu para a sua primeira competição. No entanto, sua presença no FitPira só aconteceu por causa de Daniele Lemos, sua esposa.
“Eu falo para todo mundo que se não tivesse sido ela, eu não teria competido por inúmeros motivos…”, disse.
A vida entre o fisiculturismo, família e a saúde mental
Sim, para chegar ao limite do corpo todo atleta precisa de uma base, a do Gabriel foi Daniele que não mediu esforços para que seu marido pudesse dar o primeiro passo na carreira profissional dentro do fisiculturismo.
Gabriel relembra que, em 2020, ele não tinha dinheiro para poder participar do FitPira, até que Daniele fez um acordo em seu antigo emprego e conseguiu antecipar o valor que teria para receber e com ele a inscrição foi paga. Mas não para por aí.
“Quem tá do seu lado é essencial. Vamos supor que o cara não tem ninguém ao lado, não tem mãe, mora sozinho. Eu sempre recomendo achar uma válvula de escape. A minha válvula de escape que eu falo é minha esposa. Quando ela percebe que eu já tô meio baqueado, ela fala: ‘Tá difícil, né?’, eu falo: ‘Esse tá difícil’, e ela responde: ‘Não, mas você não pode parar, pô. Você não pode parar. É para cima”, contou.
Gabriel reforça que sua família também é a principal fonte da qual ele bebe para se manter com a saúde mental em dia. A cada competição, ele se cobra mais e, inclusive, chegou a usar a foto de um adversário no papel de parede do celular para se motivar a crescer.
“A cabeça mexe muito, muito! É você se olhar todo dia, é você olhar uma semana antes da competição e falar assim: ‘Não, tá bom’. Eu coloquei no papel de parede (foto do adversário) para todo dia eu abrir meu celular, olhar o shape dele e falar: ‘Eu tenho que ficar melhor que esse shape aqui’. Porque eu sabia que ele ia ser muito bom e eu queria ir muito melhor que ele, entendeu?”, disse.

Gabriel Gregorio/Divulgação
Viver do fisiculturismo?
Embora se mantenha motivado e com a força de vontade para viver apenas sendo fisiculturista, Gabriel ainda precisa conciliar sua vida como personal trainer e a rotina intensa de seus treinos focados em competição.
E é assim todos dias das 4h às 23h, tendo apenas 5 horas de sono para se recuperar. Ao acordar, Gabriel inicia sua rotina matinal e faz sua primeira refeição às 5h, já que às 5h30 ele precisa estar em uma academia para atender sua primeira aluna.
Enquanto cumpre sua agenda como personal, ele segue à risca as orientações dos profissionais que o acompanham. Entre uma aula e outra, ou melhor, exatamente a cada 4 horas, ele faz sua refeição e, em uma parceria com seus alunos, consegue manter a disciplina.

Gabriel Gregorio/Divulgação
Até que ponto abrir mão?
Assim como é feito com o sono, Gabriel precisou adaptar sua rotina alimentar para o novo estilo de vida na busca por se tornar fisiculturista. Em média, um homem adulto consome entre 2.000 e 2.600 calorias diárias, Gabriel em apenas um dia consome 5.000 calorias, já em período de competição pode chegar a 8.000 calorias.
Com isso, também se tornou necessário abdicar de algumas refeições consideradas comuns e rotineiras, por exemplo, os rodízios e churrasco. Segundo ele, o fisiculturista não tem margem para erro e é exatamente isso que diferencia o atleta da pessoa que somente frequenta a academia.
“O fisiculturista não erra, ele não pode ter essa margem de erro. Por exemplo, se um dia for eu e você num restaurante e eu estiver em preparação, eu vou comer a minha marmita, que é arroz, frango e legumes”, explicou. “Se eu vou ao churrasco, aí eu não levo minha marmita, eu fico na água ou como um franguinho que tem lá um espetinho de frango. Por quê? Porque é o objetivo final”, completou.
Seguir o protocolo tem um preço. Enquanto a maioria das pessoas comumente toma café da manhã com pão, ovos ou bolacha, ele tem praticamente um almoço. Às 5h, sua primeira refeição é a marmita com arroz e frango, essa é a refeição que ele repete ao menos 4 vezes durante o dia.
Gabriel reforça que essa é a rotina alimentar de muitas pessoas que competem e vivem fora dos holofotes. Inclusive, também foi a de Ramon Dino, que hoje inspira milhares de pessoas no mundo fit.
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