Esporte na Band

Elenco do Lanús, adversário do Flamengo, vale "um Lucas Paquetá"; entenda

Números evidenciam a discrepância entre times brasileiros e argentinos, que está cada vez maior

Da redação
DA REDAÇÃO

19/02/2026 • 17:48 • Atualizado em 19/02/2026 • 17:48

Flamengo e Lanús iniciam nesta quinta-feira (19) a disputa da decisão da Recopa Sul-Americana. Um dado que chama a atenção é o valor do elenco das duas equipes. De acordo com o Transfermarkt, a equipe argentina em 2026 está avaliada em 43,6 milhões de euros, praticamente o mesmo valor investido pelo Fla para ter um jogador, Lucas Paquetá, que chegou por 42 milhões de euros.

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O elenco flamenguista é considerado o mais valioso das Américas, com 223,8 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão).

Atualmente, o jogador mais valioso do Lanús é o meia Marcelino Moreno, avaliado em 5,1 milhões de euros (R$ 30,9 milhões). Ele também foi a contratação mais cara da história da equipe argentina, por 2,7 milhões de euros (R$ 17 milhões) junto ao Coritiba.

Especialistas apontam que essa disparidade de elencos passa pela discrepância nos números de premiações e patrocínios. Mas também tem a ver com o modelo de gestão que os clubes passaram a adotar nos últimos anos.

“O Brasil, nos últimos sete anos, passou a dominar esse cenário também em razão do declínio econômico do futebol argentino, que não se modernizou em termos de estratégia financeira, captação de recursos, comercialização de direitos e estruturação dos clubes. A ascensão de vários clubes brasileiros foi impulsionada por mais público nos estádios, maior venda de patrocínios e melhor negociação dos direitos. No futebol nada é definitivo, mas há uma tendência de que os grandes clubes do Brasil, bem organizados e financeiramente estruturados, sigam ampliando esse domínio nos próximos anos. A grande diferença no futebol brasileiro não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas”, afirma Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia durante o processo da SAF do clube com o Manchester City e atual CEO da Squadra Sports, primeira plataforma de multiclubes no Brasil.

A disparidade aparece em outros números: em 2026, o Brasil igualou o número de taças da Argentina na principal competição sul-americana, a Copa Libertadores. Nas últimas sete edições, desde 2019, somente equipes brasileiras foram campeões, e dos 14 finalistas neste período, apenas dois eram argentinos - o River Plate, em 2019, e o Boca Juniors, em 2023.

Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, analisa: "Fica evidente que se trata de um contraste estrutural entre dois ecossistemas esportivos. No Brasil, a maior capacidade de geração de receitas impulsionada por direitos de transmissão, patrocínios e um mercado interno significativamente maior cria um cenário em que os clubes conseguem operar em outro patamar de investimento. Além disso, o advento da lei da SAF, que abriu um novo horizonte de investimento, ampliou ainda mais esse fosso entre os mercados“.

Outra discrepância está nos valores de patrocínios entre os dois clubes. O contrato do atual campeão da Copa Libertadores, o Flamengo, supera os R$ 260 milhões anuais (aproximadamente 50 milhões de dólares), enquanto do seu adversário, o Lanús, deva atingir algo próximo de R$ 12 milhões anuais (aproximadamente 2,3 milhões de dólares).

"A irresponsabilidade, o paternalismo e a demagogia marcaram a politica e governos argentinos nas últimas décadas e destruíram a economia do país. Naturalmente, como todas as outras indústrias, a do futebol foi afetada por isso. Uma saída é viabilizar a constituição de SAFs, fazendo com que consigam equilibrar forças com brasileiros em uma década", avalia Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de centenas de atletas.

Mas a diferença mais gritante entre os países está nos valores de premiações oferecidas aos times em suas principais ligas. O campeão brasileiro pode ganhar até R$ 60 milhões, enquanto da Copa do Brasil varia entre R$ 95 e R$ 100 milhões. Já o campeão argentino recebe irrisórios 500 mil dólares, aproximadamente R$ 2,8 milhões pela cotação atual, o que reflete a disparidade de valores com o Brasil, enquanto o campeão da Copa Argentina recebe valores ainda menores US$ 170 mil dólares (R$ 920 mil reais).

"A disparidade entre as premiações pagas pelas competições brasileiras e aquelas pagas em território argentino talvez seja a mesma distância que nossas ligas têm em relação às principais competições do velho continente", afirma Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo e sócio do CCLA Advogados. "Além disso, tal qual ocorre em relação à Europa, os valores muito superiores pagos pelas competições brasileiras em comparação com as argentinas também são explicados pela diferença entre nossa economia e a de nossos vizinhos", acrescenta Thiago.

Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, analisa as gestões dos clubes: "Essa diferença de valores entre os campeonatos argentinos e brasileiros pode ser explicada, principalmente, pela diferença no modelo de gestão, estrutura de governança e tamanho do mercado esportivo em cada país. Outro fator importante é a distinção na estrutura das competições e premiações. Enquanto no Brasil a organização e o aporte financeiro de torneios como a Copa do Brasil e o Brasileirão criam um ambiente competitivo e atraente para investidores, na Argentina os torneios ainda enfrentam problemas de organização e baixos níveis de monetização. Isso reflete na capacidade de distribuir prêmios mais robustos e de estimular o crescimento econômico dos clubes".

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