
Endrick durante treino da Seleção Brasileira para jogo contra Haiti
Reuters/Caean Couto
A busca pela “camisa do Endrick” no Google atingiu um patamar seis vezes maior do que o recorde anterior registrado pelo jogador, superando o volume de interesse de todos os outros atacantes convocados para o Mundial.
Eesse fenômeno digital, no entanto, colidiu com a realidade da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, uma vez que no empate por 1 a 1 contra o Marrocos, o jovem de 19 anos não saiu do banco de reservas por um minuto sequer.
O que leva um torcedor a procurar freneticamente a camisa de um jogador antes mesmo de o torneio começar? Os dados sugerem que o interesse não é meramente comercial, mas uma aposta simbólica no protagonismo. O atacante chegou ao Catar amparado por uma eficiência rara: precisou de apenas sete minutos em campo para marcar o gol da vitória no último amistoso contra o Egito e mantém uma média de uma participação em gol a cada 99 minutos vestindo a Amarelinha.
"Aura" de protagonista
O desejo do torcedor pela camisa 19 foi alimentado por momentos que transcenderam a tática. Durante a comemoração contra o Egito, um frame viral mostrou o tecido da camisa de Endrick se dobrando de forma a estampar visualmente o número 10 nas costas do jogador. A imagem gerou milhares de comparações com o anime Naruto e discussões sobre a "aura" de um predestinado, reacendendo o debate sobre quem deve ser o herdeiro simbólico de Pelé e Neymar.
Essa mística digital encontrou eco na imprensa internacional. O jornal espanhol AS classificou o atacante como um “terremoto”, defendendo que ele estaria pronto para assumir a histórica camisa 9. Até mesmo o técnico Carlo Ancelotti admitiu publicamente que Endrick é o seu melhor finalizador. Ainda assim, não foi prioridade.
O silêncio de Ancelotti
No e-commerce, as vendas de camisas de futebol já movimentaram 1,2 bilhão de reais apenas no primeiro semestre de 2026. Quando o maior alvo dessa demanda — o jogador que personifica a esperança de renovação — fica fora do jogo de estreia, cria-se um hiato entre o investimento emocional (e financeiro) do torcedor e a estratégia do treinador.
Questionado após o empate com o Marrocos, Ancelotti evitou explicar individualmente a ausência do atacante. Enquanto isso, a repercussão digital em torno de Endrick continuou em alta durante e após a partida, mesmo sem ele atuar.
Expectativa
A expectativa agora se volta para a segunda rodada do Grupo C, quando o Brasil enfrenta o Haiti após o empate em 1 a 1 com o Marrocos na estreia e o atacante volta a ser uma das principais incógnitas da Seleção.
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