
Inter de Milão tem jogadores envolvidos em escâdalo do futebol italiano
REUTERS/Alessandro Garofalo
Resumo
Investigação do Ministério Público de Milão revelou uma rede de exploração sexual envolvendo cerca de 70 jogadores da Serie A, incluindo atletas da Inter de Milão e do Milan, além de empresários, celebridades e pilotos de Fórmula 1.
Agência de eventos, comandada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, organizava festas de luxo com serviços de acompanhantes, fornecimento de óxido nitroso e mantinha mulheres em cárcere para prostituição, ficando com metade dos valores pagos e operando inclusive durante o lockdown da pandemia.
Escutas telefônicas comprovaram negociações ilícitas e detalharam pedidos de acompanhantes e substâncias químicas, enquanto os responsáveis estão em prisão domiciliar por crimes de organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro, condutas punidas severamente pela legislação italiana.
A promotoria de Milão começou uma investigação que promete abalar o futebol italiano, que já estava na berlinda pelos resultados da seleção dentro de campo. Agentes públicos detectaram uma rede de exploração sexual que envolve cerca de 70 jogadores da Serie A do Campeonato Italiano, incluindo atletas da Inter de Milão e do Milan.
O esquema era operado por uma agência sediada em Cinisello Balsamo, que oferecia "pacotes" de comemorações pós-jogo que incluíam reservas em casas noturnas de luxo, serviços de acompanhantes e o fornecimento de óxido nitroso, conhecido como "gás do riso". A informação foi divulgada pelo jornal Gazzetta dello Sport.
O funcionamento da agência e as festas de luxo
A organização, que utilizava o nome corporativo de agência de eventos e a página no Instagram "Made_luxury_concierge", era administrada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi. Ambos estão em prisão domiciliar, acusados de organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro.
As festas ocorriam em locais sofisticados de Milão, além de acontecer em viagens para Mykonos, na Grécia. Segundo as investigações, reveladas pela Gazzetta, a agência mantinha mulheres em cárcere na sua sede, onde eram forçadas à prostituição e obrigadas a pagar pela estadia.
Os mentores do esquema ficavam com 50% dos valores pagos pelos clientes. Além de jogadores de futebol, o esquema atendia celebridades, empresários e até pilotos de Fórmula 1.
Escutas telefônicas e flagrantes
Escutas telefônicas revelaram detalhes das negociações. Em um dos áudios, discute-se o envio de uma mulher brasileira para um cliente: "— Vou mandar a brasileira para ele — diz o áudio".
Outra conversa interceptada mostra um pedido para um piloto: "Tenho um amigo que é piloto de Fórmula 1 e quer uma namorada paga. Podemos encontrá-la?".
Doping e festas no lockdown
Um dos atrativos para os atletas era o uso de óxido nitroso. A substância induz euforia e funciona como um sedativo leve, mas tem a vantagem de não deixar vestígios no organismo, o que impedia a detecção em exames de doping.
Uma mensagem interceptada exemplifica a demanda: "Estamos no Duca, no Me Milan, precisamos de óxido nitroso. Estou com...", recebendo como resposta: "Ok, vou mandar alguém".
A investigação aponta que o grupo operou ininterruptamente desde 2019, ignorando as restrições da pandemia de Covid-19. Uma testemunha afirmou: "Trabalhávamos quase todas as noites, mesmo durante o lockdown".
Crime na Itália
Embora a prostituição voluntária não seja crime na Itália, a lei local pune severamente a organização e a exploração de terceiros, crimes pelos quais os responsáveis pela agência agora respondem perante a justiça italiana.
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