Esporte na Band

Flamengo pode se tornar o novo “Bayern do Brasil”? Especialistas respondem

Clube projeta receita recorde e consolida modelo de gestão que sustenta ciclo de competitividade

Da redação
DA REDAÇÃO

04/12/2025 • 10:45 • Atualizado em 04/12/2025 • 10:57

Flamengo comemora título do Brasileirão de 2025

Flamengo comemora título do Brasileirão de 2025

REUTERS/Ricardo Moraes

Resumo

O Flamengo deve superar R$ 2 bilhões em receitas em 2025, marco inédito no futebol brasileiro e resultado direto da conquista da Libertadores e da expansão de suas fontes de receita.

Especialistas apontam que o crescimento não se explica apenas pelo dinheiro, mas pela governança construída ao longo da última década, que permitiu ao clube operar em um ciclo sustentável.

Com gestão profissional, produtos fortes e competitividade em campo, o Flamengo é citado como possível equivalente brasileiro ao modelo dominante do Bayern de Munique.

O Flamengo caminha para ultrapassar, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, a marca de R$ 2 bilhões em receitas em uma única temporada. O número supera a previsão inicial da diretoria, que estimava R$ 1,8 bilhão, e foi impulsionado pela premiação da conquista da Libertadores, que acrescentou R$ 128 milhões ao faturamento rubro-negro em 2025.

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Receitas crescentes e projeção internacional

O montante pode aumentar até o fim do ano, dependendo do desempenho na Copa Intercontinental. Na última edição, o campeão recebeu US$ 5 milhões, enquanto o vice embolsou US$ 4 milhões. No Brasil, o Flamengo já havia sido pioneiro ao atingir R$ 1 bilhão de faturamento em 2022, repetindo o número em 2023 e 2024. Apenas Corinthians e Palmeiras acompanharam o ritmo, com os paulistas estimando chegar a R$ 1,6 bilhão em 2025.

Gestão como diferencial competitivo

Para especialistas, o impacto financeiro do Flamengo é reflexo direto da organização administrativa. Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e CEO da Squadra Sports, afirma que a diferença no futebol brasileiro passa menos pelo modelo SAF ou associativo e mais por governança.

“Flamengo e Palmeiras iniciaram uma transformação há dez anos, abrindo mão de títulos e evitando loucuras. Reduziram dívidas, investiram em base, infraestrutura e colheram os frutos quando o orçamento ficou saudável”, explica.

Moisés Assayag, especialista em finanças do esporte, compartilha visão semelhante. “O destaque do Flamengo não se resume às receitas. A profissionalização e as boas práticas de governança são elementos essenciais para a competitividade vista hoje em campo.”

Ciclo construído ao longo de uma década

O processo de reestruturação rubro-negra teve início na gestão de Eduardo Bandeira de Mello (2013–2018), quando o clube estabilizou finanças e reorganizou sua operação. A partir de 2019, com Rodolfo Landim, os resultados esportivos passaram a refletir a força financeira, com títulos nacionais e internacionais.

Assayag acrescenta que o Flamengo seguiu uma estratégia de médio e longo prazo. “O clube abdicou de montar grandes times por alguns anos para diminuir dívidas. Depois, com a capacidade de gerar caixa recuperada, mirou resultados esportivos mais ambiciosos. E o tempo mostrou que funcionou.”

Círculo virtuoso e comparação com o Bayern de Munique

A indicação de Flamengo e Palmeiras ao prêmio de melhor clube do mundo no Globe Soccer Awards reforça o impacto global da gestão. Ambos concorrem com equipes como Bayern, Barcelona, Chelsea e PSG. A premiação ocorre em 28 de dezembro, em Dubai.

Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, destaca que o Flamengo vive um processo típico de potências europeias. “Clubes bem administrados geram mais receitas, reduzem custos, formam elencos melhores e criam um círculo virtuoso. Jogos isolados são imprevisíveis, mas o conjunto deles não.”

Na mesma linha, Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios, afirma que o Flamengo se tornou um case de monetização da paixão. “A transparência atrai marcas globais e viabiliza investimentos em elencos de nível europeu, reforçando o ciclo: gestão forte gera receita, que compra qualidade técnica, que valoriza a marca e atrai novos investidores.”

Com Agência Estado

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