
Carlos Amarilla cercado por policiais enquanto Tite protesta após a eliminação do Corinthians para o Boca Juniors na Libertadores de 2013
Agência Estado
A vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Estudiantes, na última quinta-feira (18), pelas quartas de final da Libertadores, ficou marcada por mais uma polêmica de arbitragem. O colombiano Andrés Rojas expulsou Gonzalo Plata após aplicar o segundo cartão amarelo em lance que, na opinião da maioria, deveria ter sido marcado ao contrário: falta no atacante Rubro-Negro. O episódio revoltou jogadores, comissão técnica e diretoria, que apontaram ainda dois pênaltis não marcados e um gol argentino irregular validado.
Não foi a primeira vez que um clube brasileiro saiu prejudicado em momentos decisivos da competição continental. A história da Libertadores está recheada de arbitragens contestadas que ajudaram a definir confrontos e, em alguns casos, mudaram o rumo de finais. Relembre cinco dos episódios mais marcantes:
1994 - São Paulo x Vélez Sarsfield
Árbitro: Ernesto Filippi (Uruguai)
O São Paulo de Telê Santana buscava o tricampeonato consecutivo da Libertadores após perder por 1 a 0 na Argentina e vencer o Vélez pelo mesmo placar no Morumbi. Nos pênaltis, os argentinos venceram por 5 a 3 e ficaram com o título, mas a arbitragem de Ernesto Filippi gerou revolta.
Cafu foi derrubado dentro da área em lance claro de pênalti, ignorado pelo juiz. Anos depois, em entrevista à TyC Sports, o ex-capitão do Vélez, Roberto Trotta, revelou que o presidente Raúl Gámez chegou a invadir o vestiário no intervalo para pressionar a arbitragem.
2000 - Palmeiras x Boca Juniors
Árbitro: Epifanio González (Paraguai)
O Palmeiras, campeão em 1999, tentava o bicampeonato diante do Boca Juniors. Após empate em 2 a 2 na Bombonera, o 0 a 0 no Morumbi levou a final para os pênaltis, vencidos pelos argentinos por 4 a 2, com duas defesas de Óscar Córdoba.
A arbitragem de Epifanio González foi duramente criticada. O juiz deixou de marcar ao menos dois pênaltis a favor do Verdão, um deles em Asprilla, e ainda puniu Fernando com cartão por “simulação” em outro lance dentro da área. Pouco depois, o meia acabou expulso, aumentando a revolta palmeirense em uma das decisões mais polêmicas da história da competição.
2002 - Grêmio x Olimpia
Árbitro: Daniel Giménez (Argentina)
O Grêmio buscava voltar a uma final de Libertadores, mas viu o sonho ruir na semifinal contra o Olimpia. Após vitória por 1 a 0 no Olímpico, o Tricolor levou a decisão para os pênaltis diante da torcida, mas caiu por 5 a 4.
A atuação do árbitro Daniel Giménez ficou marcada por erros cruciais. No tempo normal, ele anulou um gol legítimo do Grêmio e irritou os gaúchos com decisões questionáveis. Nos pênaltis, mandou repetir uma cobrança defendida por Eduardo Martini, alegando adiantamento, e Caballero marcou na segunda tentativa. A decisão gerou protestos da diretoria e entrou para a lista de arbitragens mais contestadas contra clubes brasileiros.
2012 - Fluminense x Boca Juniors
Árbitro: José Buitrago (Colômbia)
Nas quartas de final de 2012, o Fluminense perdeu por 1 a 0 na Bombonera em jogo repleto de polêmicas. O colombiano José Buitrago ignorou uma cotovelada de Clemente Rodríguez em Marcos Júnior, expulsou Carlinhos em lance discutível e deixou de marcar um pênalti por toque de mão de Roncaglia.
No Engenhão, o Tricolor venceu por 1 a 0, mas não conseguiu reverter a desvantagem. A eliminação trouxe à tona a revolta com a arbitragem, apontada como decisiva para a queda carioca naquela campanha.
2013 - Corinthians x Boca Juniors
Árbitro: Carlos Amarilla (Paraguai)
Defendendo o título continental, o Corinthians caiu diante do Boca nas oitavas de final de 2013 após empate em 1 a 1 no Pacaembu. A atuação de Carlos Amarilla é considerada uma das mais desastrosas já vistas na Libertadores, com dois gols anulados do Timão e um pênalti claro ignorado.
A polêmica foi tamanha que, anos depois, escutas telefônicas sugeriram que a escalação do árbitro teria sido direcionada para favorecer os argentinos. Para a torcida corintiana, aquela noite marcou o fim do sonho do bicampeonato e se tornou um símbolo da desconfiança que paira sobre a arbitragem sul-americana.
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