Copa do mundo

Artilheiro do Iraque superou tragédias e constrangimento antes da Copa

Herói da classificação, Aymen Hussein marcou o primeiro gol iraquiano em Copas depois de 40 anos e carrega história de perdas e tragédia

2 min

16/06/2026 20:19 • Atualizado há 17 horas

Aymen Hussein, atacante do Iraque

Aymen Hussein, atacante do Iraque

REUTERS/Pilar Olivares

Após 40 anos, o Iraque pode comemorar um gol em Copa do Mundo – e veio dos pés de Aymen Hussein, o menino que perdeu o pai na guerra e se tornou o homem que levou seu país de volta ao mundial.

Continua depois da publicidade

Aos 38 da primeira etapa do duelo contra a Noruega nesta terça-feira (16), Ali Jasim acionou Al-Ammari e viu o colega sozinho dentro da área cruzar na medida para Hussein ganhar no alto e cabecear como manda o manual no chão.

O atacante e herói nacional de 30 anos tem em sua trajetória duas tragédias familiares e passou por um constrangimento ao desembarcar em território para a disputa do torneio.

Em 2008, quando tinha 12 anos, Hussein perdeu o pai, que era militar do exército iraquiano, em uma ação comandada pela organização terrorista Al-Qaeda. Seis anos depois, seu irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico e nunca mais foi encontrado.

Continua depois da publicidade

Ao desembarcar nos Estados Unidos, Hussein foi detido e interrogado por aproximadamente sete horas pelas autoridades americanas em Chicago. Durante o interrogatório, o atacante teve seu telefone celular inspecionado, e, apesar das tentativas da delegação iraquiana para agilizar sua liberação, o jogador foi mantido sob custódia até que as autoridades esclarecessem a situação.

A equipe de segurança do aeroporto teria confundido o jogador com outro cidadão iraquiano. A imprensa local relatou que o atleta teria sido tratado "como se fosse um terrorista", gerando indignação no Iraque.

Herói da classificação

A última vez que o Iraque havia participado de um Mundial foi em 1986, no México. A volta ao torneio foi construída ao longo de uma campanha difícil nas Eliminatórias Asiáticas, em que Hussein fez oito gols em 15 jogos.

Continua depois da publicidade

O momento decisivo veio em março, na repescagem contra a Bolívia: o atacante, que acumula 33 gols em 93 jogos pela seleção, sendo o quinto maior artilheiro da história, marcou o gol da vitória por 2 a 1 que garantiu o retorno dos iraquianos ao torneio.

Seguir a Band no Google