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Copa do mundo

Como Emerson lesionou o ombro jogando no gol e foi cortado em 2002

A 24 horas da estreia contra a Turquia, o então capitão do Brasil se lesionou em um rachão e deu lugar a Ricardinho no time do penta

5 min

30/05/2026 16:00 • Atualizado há 4 dias

Emerson durante amistoso entre Brasil x Espanha

Emerson durante amistoso entre Brasil x Espanha

Agência Estado

No dia 2 de junho de 2002, na Coreia do Sul, o volante Emerson sofreu uma luxação no ombro direito ao jogar improvisado de goleiro em um treino recreativo (o tradicional "rachão"). O jogador, que era o capitão absoluto de Luiz Felipe Scolari, foi cortado imediatamente após a confirmação médica de que precisaria de pelo menos quatro semanas para se recuperar. Para o seu lugar, o meia Ricardinho foi convocado às pressas, enquanto a braçadeira de capitão passou para o lateral Cafu, que acabou erguendo a taça do pentacampeonato mundial no Japão.

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O fatídico treino de reconhecimento no Munsu Stadium

A seleção brasileira fazia os últimos ajustes no gramado do Munsu Stadium, em Ulsan, local da estreia da equipe na Copa do Mundo de 2002. O clima era descontraído, típico de um treino recreativo de véspera de jogo, conhecido popularmente no futebol como "rachão". Sem luvas oficiais, Emerson decidiu ir para o gol brincar com os companheiros. A prática era relativamente comum, e o volante era testado como uma alternativa emergencial para a baliza caso a seleção passasse por um cenário extremo com expulsão de goleiros.

O drama começou em um chute do meia Rivaldo. Ao tentar saltar para fazer a defesa, Emerson não conseguiu apoiar o corpo corretamente no gramado e caiu de mau jeito sobre o ombro direito. O impacto causou uma luxação grave, gerando uma dor imediata e intensa que paralisou o jogador no gramado. Atendido às pressas pelo departamento médico, o volante deixou o campo com o braço imobilizado por uma tipoia e visivelmente abalado.

Após a realização de exames detalhados de ressonância magnética, o diagnóstico do médico da seleção, José Luiz Runco, foi implacável: Emerson havia sofrido uma luxação com danos aos ligamentos do ombro. O tempo estimado de recuperação era de, no mínimo, um mês. Como o regulamento da Fifa permitia substituições por razões médicas até 24 horas antes do primeiro jogo, a comissão técnica optou pelo corte imediato do atleta.

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O racha de Emerson com Felipão após o corte

Embora a gravidade do problema físico fosse incontestável nos exames médicos, o processo de dispensa do capitão gerou uma ferida que demorou décadas para cicatrizar. Emerson revealed, anos mais tarde, que guardou profunda mágoa de Luiz Felipe Scolari. Segundo o ex-jogador, a decisão de sua saída foi tomada de forma unilateral, sem que houvesse uma conversa franca ou um esforço para mantê-lo com o grupo.

O volante acreditava que poderia ter permanecido com a delegação para realizar o tratamento fisioterápico na Ásia. "Eu era o capitão do Felipão, mas ele me tratou como um qualquer", declarou Emerson em entrevista de repercussão nacional. De acordo com o atleta, ele soube de sua dispensa por terceiros e nunca mais voltou a conversar com o treinador após aquele episódio.

Por outro lado, Felipão sempre tratou o corte como uma das decisões mais dolorosas e difíceis de sua carreira. No diário que escreveu durante a campanha na Ásia, o treinador relatou que o desânimo tomou conta do vestiário e que precisou reunir o elenco para reerguer o moral do grupo, contando inclusive com um depoimento de Ronaldo sobre superação para reestabelecer o foco na busca pelo título.

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O impacto tático e a ascensão de Gilberto Silva

A saída inesperada de Emerson obrigou a comissão técnica a realizar mudanças estruturais profundas às pressas. Ricardinho, então jogador do Corinthians, viajou imediatamente para se integrar ao elenco na Ásia. No entanto, a principal mudança tática ocorreu dentro do time titular, com a entrada do volante Gilberto Silva na equipe principal.

Gilberto Silva, que iniciaria o torneio no banco de reservas, ganhou a posição de primeiro volante e tornou-se um dos pilares do esquema tático de Felipão. Sua capacidade de marcação e precisão tática deram a liberdade necessária para que Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho brilhassem no ataque. O volante disputou todos os minutos da campanha vitoriosa na Coreia do Sul e no Japão.

A braçadeira de capitão, que originalmente pertencia a Emerson, foi herdada pelo lateral-direito Cafu. A liderança de Cafu dentro e fora de campo foi crucial para manter a união do grupo e resultou em um dos momentos mais icônicos do futebol brasileiro: o lateral no topo do pódio erguendo a taça do penta.

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Os cortes mais dramáticos da seleção brasileira em Copas

  • Em 1998, Romário foi cortado na França devido a uma lesão muscular na panturrilha direita, gerando choro em entrevista coletiva e enorme atrito com a comissão técnica comandada por Zagallo.
  • Em 2006, Edmílson, peça fundamental no esquema de 2002, sofreu uma lesão no menisco do joelho direito durante os treinos preparatórios na Suíça e acabou cortado do Mundial da Alemanha.
  • Em 1994, o zagueiro Ricardo Gomes, titular e capitão do time, sofreu uma lesão muscular em um amistoso contra El Salvador poucos dias antes da estreia nos Estados Unidos, abrindo espaço para Aldair e Ronaldão.
  • Em 1982, Careca, considerado o melhor centroavante do país, lesionou-se em um treino físico na Espanha a poucos dias da estreia do Brasil no torneio, sendo substituído às pressas por Roberto Dinamite.

Datas principais da Copa do Mundo 2026

A edição de 2026 volta ao período tradicional de meio de ano, após a disputa no fim de 2022 no Catar.

  • Abertura: quinta-feira, 11 de junho de 2026.
  • Disputa do terceiro lugar: sábado, 18 de julho de 2026.
  • Final: domingo, 19 de julho de 2026.
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