Esportes

Neymar na Copa: brasileiros divergem sobre presença do craque na Seleção

Camisa 10 enfrenta forte aprovação e rejeição antes da convocação final de Ancelotti

3 min

13/05/2026 16:44 • Atualizado há 48 dias

Resumo

Uma pesquisa realizada pela ESPM-SP com 400 torcedores revela que Neymar Jr. é o jogador mais amado e também o mais rejeitado da Seleção Brasileira, refletindo uma polarização inédita e intensa entre os fãs, com 56% de aprovação e 30,5% de rejeição, enquanto outros atletas, como Vinícius Jr., apresentam índices bem menores de rejeição.

Os dados mostram que a avaliação sobre Neymar está diretamente ligada ao espectro político dos torcedores, sendo mais apoiado pela direita (66%) e mais rejeitado pela esquerda (40%), resultado influenciado por seu apoio declarado a Jair Bolsonaro e por episódios que alimentam tensões ideológicas.

A idade dos torcedores também pesa na percepção sobre o craque, com maior aceitação entre jovens (64,8%) e rejeição crescente entre mais velhos (36%), enquanto novos nomes como Endrick ganham aprovação quase unânime e a expectativa para a convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 foca na presença ou ausência de Neymar em sua última participação.

O futebol brasileiro possui a capacidade singular de unir o país sob uma mesma bandeira. No entanto, ao projetar a Copa do Mundo de 2026, essa lógica de união nacional parece não se aplicar ao nome mais midiático do elenco atual: Neymar Jr.

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Uma pesquisa do Centro de Estudos Aplicados de Marketing da ESPM-SP, realizada com 400 torcedores de todo o Brasil, confirma que o camisa 10 é, ao mesmo tempo, o jogador mais amado e o mais rejeitado da Seleção. Da mesma maneira que muita gente quer Neymar na Copa, outra grande parcela dos torcedores espera que o meia do Santos não vá ao Mundial.

O fenômeno da polarização

Segundo o levantamento, Neymar lidera com folga tanto o ranking de jogadores considerados indispensáveis quanto o daqueles que não deveriam ser convocados de jeito nenhum. Nenhum outro atleta chega perto desse cenário .

  • Aprovação: 56% dos entrevistados (224 torcedores) querem o craque de volta.
  • Rejeição: 30,5% (122 torcedores) afirmam que não o convocariam sob hipótese alguma.

Para efeito de comparação, Vinícius Jr., o segundo mais querido (38,5%), possui apenas 8,5% de rejeição.

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Neymar em campo pelo Santos (Foto: GUILHERME DIONíZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO)

Neymar em campo pelo Santos (Foto: GUILHERME DIONíZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO)

A política e o campo

Os dados indicam que a percepção sobre o jogador acompanha, de forma consistente, o espectro político dos torcedores. O que antes era uma discussão técnica sobre desempenho, hoje reflete as tensões ideológicas do Brasil.

  • Na Direita: O apoio é robusto, com 66% defendendo sua presença e apenas 24% contrários.
  • Na Esquerda: O cenário se inverte, com a rejeição chegando a 40%, superando a aprovação de 37%.
  • Na Centro-Esquerda: Há um equilíbrio absoluto, com 45,5% a favor e 45,5% contra, um retrato que mimetiza disputas eleitorais de segundo turno.

A explicação para esse padrão estatisticamente significativo passa pelo apoio político ao presidente Jair Bolsonaro declarado pelo jogador em 2022 e seu envolvimento em episódios que alimentam narrativas em diferentes campos ideológicos.

O abismo das gerações

A idade é outro fator determinante na aceitação do craque, revelando que ele encontra seu "porto seguro" entre o público mais jovem.

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  • Jovens (18 a 34 anos): 64,8% de aprovação contra 20,8% de rejeição. Para este grupo, Neymar é a referência máxima de talento.
  • Mais velhos (55 a 69 anos): O apoio cai para 50,9%, enquanto a rejeição sobe para 36%. O nível de exigência deste público é elevado pela comparação com ídolos como Ronaldo, Ronaldinho e Zico.

Consenso e esperança

Enquanto Neymar divide a nação, novos nomes surgem como pontos de união. Jovens como Endrick (15,5% de aprovação e 1,8% de rejeição), Estevão e Luiz Henrique têm rejeição quase nula.

O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, convoca os 26 jogadores para a Copa do Mundo de 2026 no dia 18 de junho, às 17h (Brasília), no Rio de Janeiro. A expectativa é gigante pela convocação - ou ausência - de Neymar em seu último Mundial na carreira.