Como Brasil superou desconfiança e voltou ao topo do mundo em 1994
Campanha segura, brilho de Romário e drama nos pênaltis marcaram a conquista sobre a Itália

Em 1994, nos EUA, Brasil levou o tetra nos pênaltis; relembre
Masao Goto Filho/Estadão
Vinte e quatro anos depois do tri no México, a Seleção Brasileira reconquistou o título mundial em 1994, nos Estados Unidos, ao vencer a Itália nos pênaltis na final disputada no estádio Rose Bowl, em Pasadena.
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Desacreditado antes do torneio e sob forte pressão após a eliminação para a Argentina em 1990, o time comandado por Carlos Alberto Parreira quebrou o jejum e levou o inédito tetracampeonato.
Criticada por um estilo mais cauteloso e por escolhas táticas contestadas, a equipe se apoiou em uma defesa sólida e em ataques cirúrgicos. Lesões, suspensões e mudanças forçadas no elenco marcaram a preparação, mas o grupo encontrou equilíbrio ao longo dos sete jogos até a decisão.
Romário: o protagonista que embala o Brasil
O grande nome daquela campanha quase não viajou para a Copa. Afastado da Seleção, Romário só voltou após ser chamado por Parreira para o jogo decisivo das Eliminatórias, em 1993, no Maracanã.
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A atuação determinante naquele dia abriu caminho para que o "Baixinho" assumisse o protagonismo também no Mundial.
Em solo americano, no auge físico e técnico, Romário comandou o ataque, decidiu partidas e acabou eleito o melhor jogador do torneio, recebendo a Bola de Ouro. Ao lado de Bebeto, formou uma das duplas mais marcantes da história das Copas.
Nas quartas de final, contra a Holanda, ele participou de um dos lances mais lembrados do Mundial.
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Após o gol de Bebeto em chute cruzado, o trio formado pelo camisa 7, Romário e Mazinho comemorou embalando os braços, gesto que eternizou o "embalo do bebê" em homenagem ao filho recém-nascido de Bebeto.
Muralha improvisada e redenção de Dunga
Do outro lado do campo, a segurança defensiva foi decisiva. A zaga que sofreu apenas três gols em sete jogos nasceu da necessidade: após uma sequência de lesões de nomes como Mozer, Ricardo Gomes e Ricardo Rocha, Aldair e Márcio Santos assumiram a titularidade, mesmo com pouca participação nas Eliminatórias.
No meio, Dunga passou por verdadeira transformação. Rotulado como símbolo do fracasso em 1990, ele voltou ao Mundial de 1994 com outro status.
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Com mais maturidade, assumiu a braçadeira de capitão, antes cogitada para Raí ou Ricardo Gomes e tornou-se referência de liderança e equilíbrio emocional.
Final travada, pênaltis históricos e o "é tetra"
Na decisão, Brasil e Itália fizeram um duelo tenso e fechado, valendo a condição de primeiro tetracampeão mundial. Após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a Copa do Mundo teve pela primeira vez uma final decidida nos pênaltis.
O goleiro Taffarel apareceu em momento crucial e ajudou a garantir a vantagem brasileira na disputa. No último chute italiano, Roberto Baggio mandou a bola por cima do travessão.
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A imagem do craque, imóvel e com as mãos na cintura, contrastou com Taffarel ajoelhado, apontando as luvas para o céu, enquanto o grito de "É tetra" tomava conta do estádio e do Brasil.
Cafu estreia em decisões e Zagallo amplia coleção
A partida também marcou o início de uma sequência histórica de outro personagem. Ainda no primeiro tempo da final, o lateral-direito Jorginho se lesionou e abriu espaço para a entrada de Cafu.
Aquele jogo foi a primeira de três decisões consecutivas de Copa que o lateral disputaria: ele também esteve em campo nas finais de 1998 e 2002.
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Fora das quatro linhas, a comissão técnica tinha peso histórico. Auxiliar de Parreira, Mário Jorge Lobo Zagallo acrescentou mais um capítulo à sua trajetória única, participando ativamente de quatro títulos mundiais do Brasil, e reforçou a aura de time talhado para grandes conquistas naquela campanha de 1994.
Datas principais da Copa do Mundo 2026
A edição de 2026 volta ao período tradicional de meio de ano, após a disputa no fim de 2022 no Catar.
- Abertura: quinta-feira, 11 de junho de 2026.
- Disputa do terceiro lugar: sábado, 18 de julho de 2026.
- Final: domingo, 19 de julho de 2026.
No total, o Mundial será disputado ao longo de pouco mais de cinco semanas de competição.
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