
Bruno Henrique comemora gol do Flamengo
REUTERS/Tiago Trindade
O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, virou réu por estelionato na Justiça do Distrito Federal nesta quinta-feira (4) após ter forçado um cartão amarelo em um jogo contra o Santos, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2023. A decisão ocorre após o Ministério Público do DF ter o recurso acatado.
Bruno Henrique já havia sido enquadrado por fraude esportiva, mas agora também responderá por estelionato. Além do jogador, outras oito pessoas, entre elas primos e Wander Pinto Júnior, irmão do atacante do Flamengo.
A pena por fraude esportiva é de dois a seis anos de prisão. O crime de estelionato prevê de um a cinco anos de reclusão.
Precedente no STF
Nesta mesma semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu um entendimento que pode ser favorável à defesa de Bruno Henrique. O STF determinou que a provocação de cartões com o objetivo de favorecer apostas esportivas não deve ser classificada como manipulação de jogos. Tal compreensão baseia-se no argumento de que a ação não possui o potencial concreto de alterar o resultado ou o curso da partida.
Este entendimento foi manifestado no voto do ministro Gilmar Mendes, durante a análise sobre o caso do jogador Igor Cariús, do Sport, também denunciado por forçar um cartão em troca de compensação financeira para beneficiar apostas. O magistrado sustentou que, embora a conduta possa ser passível de punição na esfera esportiva, ela não se configura como crime.
Igor Cariús havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) no âmbito da operação Penalidade Máxima, acusado de ter recebido R$ 30 mil para forçar um cartão amarelo durante a partida entre Atlético-MG e Cuiabá, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2022.
Na esfera esportiva, Bruno Henrique foi absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após recorrer da primeira decisão que o condenou a 12 jogos de suspensão.
Entenda o caso
Em 1º de novembro de 2023, Flamengo e Santos se enfrentaram pelo Brasileirão, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e após o apito final da partida, Bruno Henrique foi advertido com um cartão amarelo e na sequência expulso por ofender o árbitro.
A Polícia Federal interceptou mensagens entre os dois, trocadas dois meses antes do jogo. Em uma delas, o irmão pergunta: “O tio está com dois cartão no Brasileiro?”, e Bruno responde: “Contra o Santos”.
O relatório da PF tem prints de conversas entre Bruno Henrique e o irmão. Essas mensagens foram recuperadas depois que policiais pegaram celulares em novembro do ano passado, após uma operação de busca e apreensão.
Na conversa, Bruno promete o cartão amarelo no jogo contra o Santos e diz que não vai ser suspenso até a partida. Então o irmão responde: “Já vou guardar o dinheiro investimento com sucesso”. Ambos indicam que existem outras pessoas envolvidas no suposto esquema.
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