
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Cesar Greco / Palmeiras
A final da Libertadores de 2025, em Lima, vai além do duelo entre Flamengo e Palmeiras. O que está em jogo é o contraste entre modelos de gestão, universos emocionais e formas opostas de administrar pressão.
De um lado, Abel Ferreira, técnico mais vitorioso da história do Palmeiras. Do outro, Filipe Luís, treinador estreante que chega à primeira decisão continental com apenas 18 partidas no time principal.
Enquanto elencos bilionários (R$ 1,3 bilhão do Palmeiras e R$ 1,2 bilhão do Flamengo) se enfrentam no campo, a Sala Digital da Band mostra que a disputa paralela acontece no comportamento de busca do torcedor. Se a final fosse definida pela ansiedade digital, o Flamengo largaria na frente. As pesquisas por “Flamengo” no Rio de Janeiro mais que dobram o interesse por “Palmeiras” em São Paulo. O mesmo se repete com “Copa Libertadores”.
Abel Ferreira em foco
As perguntas sobre Abel Ferreira têm caráter administrativo, não emocional. Os torcedores querem saber: “Quanto Abel Ferreira ganha?”, “Abel Ferreira vai deixar o Palmeiras?”, “Quando termina o contrato?”. São buscas corporativas — a torcida monitora Abel como quem avalia o desempenho de um ativo estratégico.
Essa lógica se intensifica porque Abel é o treinador mais vitorioso da história do clube. Em cinco anos, somou 10 títulos, conduziu o time em 356 jogos (209 vitórias, 82 empates e 65 derrotas) e construiu um aproveitamento geral de 66,38%. Em 2025, o Palmeiras chega à final com 69,08% de aproveitamento na temporada e 10 vitórias em 12 jogos na Libertadores.
Mas o número que domina as pesquisas não é o percentual. É o futuro: “Abel vai renovar?”. É nessa interseção que surge a crise estrutural. A má fase no Brasileirão reacendeu velhos fantasmas: sequência de atuações fracas, críticas à insistência em sistemas que não funcionaram, desgaste emocional evidente, a decisão de poupar 11 titulares contra o Grêmio e a sensação de repetição do roteiro de 2023, quando “jogou a toalha” para aliviar pressão.
A declaração recente de que “o campeonato está entregue”, somada às críticas à arbitragem, foi interpretada como uma tentativa de redirecionar a responsabilidade — ao estilo “blindagem do elenco”. O Google captou essa ambivalência. Para o torcedor, ou é estratégia, ou é prenúncio de saída.
Filipe Luís e o projeto de longo prazo
Entre as perguntas mais buscadas sobre Filipe Luís na semana da decisão, uma se destaca: “Qual o aproveitamento de Filipe Luís no Flamengo?”. Embora o técnico ainda não tenha percentual consolidado no time principal, os dados disponíveis desenham um quadro de impacto imediato.
No profissional, Filipe comandou o Flamengo em 18 jogos e conquistou três títulos: Copa do Brasil (2024), Supercopa (2025) e Campeonato Carioca (2025). Além disso, chega à primeira final de Libertadores como treinador, somando 14 taças na carreira pelo clube entre atleta e técnico. Os resultados reforçam a confiança da diretoria em um treinador ainda no início da trajetória.
Nas categorias de base, o desempenho também é robusto. No Sub-17, foram 20 jogos, 16 vitórias, quatro derrotas e 80% de aproveitamento. No Sub-20, foram 10 vitórias, dois empates e cinco derrotas em 17 partidas, com 62% de aproveitamento. A consistência nos dois ambientes — formação e alta pressão — sustenta a percepção de que Filipe Luís encabeça um projeto de médio e longo prazo no Flamengo.
Para o rubro-negro, ele não é um técnico tampão. É a aposta de uma nova era. E chega à final cercado não de desconfiança, mas de expectativa.
O fantasma Pedro
A pergunta mais emocional do país na semana da decisão não envolve nenhum dos técnicos. O termo que lidera as buscas relacionadas a “...vai jogar a final da Libertadores?” é Pedro. A resposta é objetiva: não. O atacante está fora por lesão muscular.
A ausência criou um efeito simbólico e tático: Pedro virou o fantasma que ronda o Flamengo. Sem ele, Filipe Luís precisa reorganizar o ataque e abandonar o confronto físico direto com a provável linha de três zagueiros palmeirenses — Bruno Fuchs, Murilo e Gustavo Gómez. A perda da referência técnica e de área muda o plano de jogo e repercute no comportamento de busca do torcedor.
Pedro permanece presente não pelo que fará, mas pelo que não poderá fazer. O algoritmo registra essa dor. O atacante lesionado se tornou uma das figuras mais pesquisadas da final.
O que vale o título para cada técnico
A conquista tem pesos distintos para Abel Ferreira e Filipe Luís — e ambos lidam com legados em construção.
Se Abel vencer, entra para um grupo raríssimo no continente. Igualaria Osvaldo Zubeldía, se aproximaria de Carlos Bianchi — maior campeão da história — e ultrapassaria Renato Gaúcho como técnico brasileiro mais vitorioso da Libertadores. Seria também a consolidação da maior era de um treinador estrangeiro no futebol brasileiro.
Se Filipe Luís vencer, a consagração é imediata. Ele se tornaria um dos poucos técnicos a conquistar a Libertadores no primeiro ano de trabalho, inauguraria sua própria era — sem herdar legados de Jorge Jesus, Dorival Júnior ou Sampaoli — e solidificaria um projeto de longo prazo no Flamengo. Viraria um case global: o ex-lateral moderno que se tornou treinador de elite em apenas 18 meses, em ascensão mais rápida do que Guardiola e Zidane tiveram no início da carreira.
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