Ídolo do Corinthians, do Guanzhou Evergrande, duas Copas do Mundo disputadas e uma história no Barcelona. Esses são alguns feitos da carreira do ex-jogador Paulinho, que se despede dos gramados neste sábado (21), em partida amistosa no Estádio do Canindé. Antes de se despedir oficialmente dos gramados, o atleta concedeu uma entrevista exclusiva ao band.com.br, onde falou sobre sua carreira e os próximos passos na vida.
Em um bate-papo de pouco mais de uma hora, Paulinho relembrou a sua trajetória no futebol e como foi sair do Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo, e conquistar o mundo. O ex-jogador revelou detalhes sobre a carreira, se emocionou, chorou e deu risadas ao receber o band.com.br na semana passada. A íntegra da entrevista pode ser acompanhada no vídeo acima.
A Band transmite o jogo de despedida de Paulinho, novo coordenador técnico do Mirassol, do futebol a partir das 9h30 (Brasília) deste sábado. A partida também pode ser acompanhada nas plataformas digitais do Grupo Bandeirantes: Bandplay, band.com.br e no canal do YouTube do Esporte Na Band.
Confira, a seguir, trechos da entrevista exclusiva de Paulinho ao band.com.br.
Paulinho quase abandonou o futebol
"Quando eu voltei da Polônia, eu voltei para o Pão de Açúcar e falei para o Thiago Scuro: ‘não quero mais jogar futebol’. Tinha sofrido racismo, a questão financeira era ruim…não queria mais. Fiquei duas semanas em casa. Aí o Thiago me ligou e me chamou para ir no Pão de Açúcar. E ele me perguntou: ‘por que isso?’. “Aí eu respondi ‘porque eu não preciso passar por isso’. Aí ele foi me convencendo a voltar. Eu fiquei lá, comecei a treinar e voltei, em 2008. Saí de uma primeira divisão da Polônia e volto para jogar a quarta divisão (de São Paulo). Jogo a terceira divisão e vou para o Bragantino no meio de 2009. Jogo a Série B e o Campeonato Paulista. E em abril de 2010 eu chego no Corinthians.”
Chegada ao Corinthians
“Eu chego no Corinthians em 2010 e chego na Fazendinha (Parque São Jorge). E aí você vai caindo a ficha com o passar dos dias, não é no dia, e você vai vendo que você (se emociona e chora) chega onde você sempre sonhou. Num clube grande, um dos maiores clubes do mundo, um clube diferente, uma torcida diferente. E você vai tendo a noção com o passar do tempo. Quando eu cheguei, tinha Ralf, Elias, Jucilei, Boquita, Marcelo Mattos e eu falei ‘cara, é impossível jogar aqui'. Mas está tudo bem. Vamos trabalhar, treinar e quando chegar o meu momento eu tenho que estar pronto.”
Campeonato mais difícil que disputou
"A Premier League (Campeonato Inglês). Quando eu chego no Tottenham (em 2013), era muita diferença da Premier League de hoje: era muita força. Eu tenho uma primeira temporada boa, mas eu sofro um pouquinho na segunda temporada. O time mais difícil que eu joguei na Inglaterra foi o Manchester City. Você tinha Agüero, Yaya Touré, David Silva, Kompany…era um time muito especial."
Trajetória no futebol chinês
"(Jogar na China) Foi maravilhoso. Foi onde eu e minha família fomos muito felizes (se emociona e chora). Foram cinco anos e meio, né? No início gerou dúvidas em todo mundo, e eu enxergava como uma situação normal. Tudo faz parte do jogo, tudo faz parte do processo. Poucas pessoas sabiam que eu queria jogar e queria um desafio. E aí aconteceu tudo e eu fui. Eu muito, muito, muito feliz na China."
Transferência para o Barcelona
“Aquilo foi o ápice, cara (se emociona e chora). Eu não sou muito disso, de relembrar o meu passado, de sofrimento…de uns anos atrás eu venho falando que passei por situações que tinha que passar. Não sou muito voltado a essas coisas. Mas hoje, analisando bem, tudo o que eu passei no futebol, eu posso dizer que me orgulho. Você chega no Barcelona, num estádio de 99 mil pessoas e você joga com os melhores do mundo. Sem exceções. E contra os melhores do mundo também. Eu tenho o privilégio de estar lá e vivenciar tudo isso."
Resenha com Messi após chegar ao Barcelona
"A gente estava jogando contra a Argentina, e ia ter uma falta para o Brasil. O Willian estava na bola e eu só fui dar um “migué". Aí o Messi vem andando aqui atrás. E fala: ‘Vamos para o Barcelona?’ E eu falei: ‘Vamos, opa’. Só que dentro do jogo, né, você para e fala: ‘não é possível'. Depois de uns meses, eu cheguei pro Messi e falei pra ele sobre isso. E ele me disse que já estava de olho em mim, que o Barcelona já estava me observando (para me contratar)."

